Estrelado por Grace Kelly, 'O Cisne' sai em DVD

"O Cisne", de Charles Vidor, é tão démodé que guarda até certo encanto. Em 1956 o mundo entrava de cabeça na guerra fria quando a MGM se saiu com essa história de príncipes e princesas, uma comédia romântica à moda antiga, estrelada por Grace Kelly. Prestes, ela mesma, a tornar-se uma princesa da vida real.

AE, Agência Estado

17 de dezembro de 2012 | 11h04

Ela é Alexandra, apelidada pelo pai, por sua beleza, de "o cisne". A família nobre depende dos seus encantos para conquistar o arredio príncipe Albert (Alec Guinness), que será rei e está sendo disputado por todas as cortes europeias. A mãe de Alexandra fará todo o empenho em aproximar o casal durante uma imprevista visita de Albert à sua casa. Acontece que Albert fica meio indiferente aos encantos de Alexandra, parecendo mais interessado em conhecer os cavalos da estrebaria ou jogar bola com os irmãos menores da candidata a rainha. Ah, sim, para tentar atrair o rapaz por meio do ciúme é montado um romance de mentirinha entre Alexandra e um plebeu, o professor Nicholas (Louis Jourdan), que dá aulas aos meninos da casa.

O filme é todo certinho. Colorido estupendo, enquadramentos exatos, figurinos, cenários, etc. Não há um fio de cabelo fora do lugar. Tanta perfeição às vezes enjoa. Esperamos por algo que destoe, uma nota desafinada, um deslize. Vez por outra ouvimos um comentário interessante. O personagem de Albert é dado a frases espirituosas, mas nem ele mesmo parece acreditar na graça do que diz. Enfim, há um sutil escárnio em relação à realeza e à maneira como veem o mundo dos plebeus. O maior demônio é Napoleão, portanto fala-se de um livro reconfortante, que prova que o corso jamais existiu. Coisas assim.

Essa graça palaciana é criada em torno da eterna história da princesa e do plebeu, dos amores proibidos pela diferença abissal de posição social, etc. Uma espécie de conto de fadas que, independente do seu desfecho, já cumpriu o seu papel pelo simples fato de ter sido imaginado. Desse modo, o romance insinuado entre o professor e a princesa não precisa sequer ser levado às consequências naturais, mesmo porque neste Vidor, tudo é tão pudico que nenhuma insinuação mais, digamos, sensual, sequer é cogitada.

Não por falta de recursos do diretor, é claro, porque basta nos lembrarmos de que o mesmo Charles Vidor havia dirigido, exatos dez anos antes, "Gilda", tido como um dos emblemas do cinema noir. Nele, a femme fatale que empresta o nome à obra é interpretada pelo monumento Rita Hayworth. Gilda protagoniza um strip tease completo simplesmente ao tirar as longas luvas de veludo enquanto cicia "Put the Blame on Mame". É de uma sensualidade envolvente.

Tonalidade de todo ausente em "O Cisne", cuja beleza anódina não contempla qualquer alusão carnal. Grace Kelly, como Alexandra, é altiva, linda e perfeita. Exatamente como um cisne que desliza sobre o lago também perfeito e jamais toca as margens. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

O CISNE

Distribuição Versátil. R$ 39,90

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