Estrela da tarde

Em Escrito nas Estrelas, que estreia hoje, Débora Falabella é má e divertida

Patrícia Villalba, O Estado de S.Paulo

12 de abril de 2010 | 00h00

                                  

Versátil. "Não consigo atriz se não fizer teatro"  

 

 

 

 

 

 

 Débora Falabella experimenta em dobro a partir de hoje, com a estreia de Escrito nas Estrelas, a nova novela das 6 da Globo. Conhecida na TV pelos papéis das heroínas românticas, ela será Beatriz, sua primeira vilã e primeira personagem com viés cômico. "É uma coisa que eu sempre quis fazer, não só uma vilã, mas ainda uma personagem ligada à comédia", diz ela ao Estado, na mesa de uma padaria em Higienópolis.

Beatriz é uma malvada trapalhona, que faz dupla dinâmica com a mãe, Sofia (Zezé Polessa). Por (má) influência dela, a moça se acha a última bolacha do pacote e, por isso, entra com tudo na disputa pela posto de "mãe perfeita do neto de Ricardo (Humberto Martins)" - competição que movimenta a trama. "O mais bacana é que ela não é uma vilã que faz maldades enormes, porque as coisas não dão muito certo para ela. Às vezes ela é um pouco idiota nas armações", detalha Débora.

A novela, escrita por Elizabeth Jhin e dirigida por Rogério Gomes (Papinha), fala de um amor que sobrevive à morte. Daniel (Jayme Matarazzo) é um jovem médico que morre já no primeiro capítulo, logo após conhecer a heroína da história, Viviane (Nathália Dill). Dono de uma clínica de fertilização in vitro, Ricardo decide gerar um neto a partir do sêmen congelado pelo filho para futuras experiências.

Começa, então, a busca de Ricardo pela mulher perfeita para levar tal tarefa adiante. E a novela se desenvolve a partir da discussão ética em torno da concepção do filho de um homem morto, acompanhada de perto pelo espírito de Daniel.

Apesar de não estar totalmente embasada pelo espiritismo, é inegável que Escrito nas Estrelas tem ligação com a onda espírita de filmes como Chico Xavier, de Daniel Filho, que estreou há duas semanas. "É claro que tem a ver com o filme do Daniel Filho e com outros filmes que ainda vão estrear em breve em torno do tema", admite Débora, sem disfarce. "Mas a novela é feita de uma maneira para agradar a todo mundo - não é focada só espiritismo e não é só quem é espírita que vai entender. Acho que as pessoas, em geral, gostam do tema."

Namoradinha. Mineira radicada em São Paulo há cinco anos, Débora estreou na TV em 1998, na novela adolescente Malhação. E desde que foi descoberta, não parou mais de trabalhar - fez uma novela atrás da outra e, não raro, duas no mesmo ano.

Seu primeiro papel de destaque foi a Gustava, de Um Anjo Caiu do Céu, em 2001, de Antonio Calmon. Mas foi como a Mel, de O Clone (2001/Glória Perez), jovem de classe média alta que se torna viciada em drogas, que ela ganhou projeção nacional e reconhecimento como uma das atrizes mais promissoras de sua geração. A previsão se confirmou em 2006 quando ela foi escolhida para ser a protagonista de Sinhá Moça, remake de grande sucesso de Benedito Ruy Barbosa, que é reprisado agora no Vale a Pena Ver de Novo, à tarde.

Personagens como aquela sinhazinha abolicionista, boneca de louça que não teme expor o que pensa em pleno fim do século 19, deram a Débora o verniz das heroínas românticas - o que ela reconhece, lamenta de certa forma, mas não teme. "Em televisão, é mesmo um pouco difícil você se desvincular de uma imagem. Não para mim, claro, mas para eles (diretores e autores) te darem um outro tipo de papel", diz ela. "Quando você tem alguma coisa que dá certo, muitas vezes é mais fácil acreditar nela."

Talvez e também por isso, Débora faz questão de manter o Grupo 3 de Teatro, que ela montou em 2006 - quando participou da montagem de A Serpente, de Nelson Rodrigues - com a diretora Yara de Novaes e o produtor Gabriel Paiva, onde ela atua como produtora e atriz. "Teatro eu nunca nego, e nunca deixo de fazer", anota a atriz, que se prepara para voltar aos palcos em maio. "Não consigo ser atriz se não fizer teatro. Claro que o teatro, a televisão e o cinema se complementam, mas é no teatro que eu vejo sentido em estar nessa profissão."

EM TODOS OS CANTOS

Na TV

A atriz estreia hoje a terceira novela das 6 de sua carreira, Escrito nas Estrelas, onde interpreta a vilã Beatriz. Mimada e inescrupulosa, a moça tenta a todo custo ser escolhida pelo Dr. Ricardo (Humberto Martins) como a "mãe perfeita" para o neto que ele pretende gerar a partir de inseminação artificial.

No teatro

Débora ensaia com o seu Grupo 3 de Teatro, do qual é atriz e produtora, a montagem de espetáculo com três textos do escritor mineiro Murilo Rubião (1916- 1991). A peça estreia no interior de São Paulo em maio e retorna em temporada na capital a partir de outubro.

No cinema

A atriz acaba de concluir as filmagens do longa-metragem Meu País, dirigido por André Ristum e produzido pela Gullane Filmes. Débora interpreta uma jovem com deficiência mental, ao lado de Cauã Reymond e Rodrigo Santoro.

AMOR, ÉTICA, MATÉRIA E ESPÍRITO

Pegue os quatro elementos acima e você terá a matéria-prima de Escrito nas Estrelas, nova novela das 6 da Globo. Escrita pela autora mineira Elizabeth Jhin, a novela chama a atenção, de pronto, por uma ousadia: o mocinho (Daniel, papel de Jayme Matarazzo) morre no primeiro capítulo. E permanecerá vagando pelos capítulos como um charmoso espírito, como Patrick Swayze em Ghost - Do Outro Lado da Vida (1990). Isso, porque Ricardo, seu pai, resolve gerar um neto a partir do sêmen congelado. "Na história, ciência e espiritualidade não vivem uma sem a outra", explica a autora. Ela nega que a novela tenha sido produzida agora por causa do centenário de Chico Xavier, que pôs o espiritismo em pauta. Mas diz acreditar numa ligação - cósmica, digamos. "Duvido de coincidências. Tudo tem um motivo para acontecer."

 

 

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