Marcio Fernandes/AE
Marcio Fernandes/AE

Estrela da arquitetura expõe projetos premiados no Instituto Tomie Ohtake

O arquiteto norte-americano Thom Mayne também falou sobre os desafios para o futuro

JOTABÊ MEDEIROS - O Estado de S.Paulo,

06 de setembro de 2012 | 03h12

Prêmio Pritzker de Arquitetura de 2005, o arquiteto norte-americano Thom Mayne ganhou em maio o concurso para projetar a nova sede da Cornell University, em Roosevelt Island, Nova York. Um edifício de US$ 150 milhões para abrigar um novo conceito de educação, por onde circularão 2 mil estudantes e com um espaço construído de 14 mil m². Seu projeto bateu os também notáveis Rem Koolhaas, Diller Scofidio & Renfro, Steven Holl Architects, Skidmore, Owings & Merrill e Bohlin Cywinski Jackson.

"A educação mudou muito. É muito mais conectada com o tráfego social, em como as pessoas interagem. Hoje em dia, as aulas acontecem mais em um café Starbucks do que em uma sala de aula. Toda essa noção expandiu os lugares de aprendizado. A tecnologia e a comunicação em tempo real têm de ser incorporados a essa nova visão, e é esse o desafio da arquitetura de escolas", disse anteontem ao Estado o arquiteto de 68 anos, objeto de uma exposição no Instituto Tomie Ohtake, Morphosis, Formas Combinatórias (com 86 maquetes e painéis fotográficos).

"São Paulo é uma cidade enorme, de mais de 20 milhões de habitantes. Usualmente, os problemas mais urgentes são os urbanos. A arquitetura trabalha com estruturas urbanas. Você chegou atrasado a este compromisso por causa do tráfego, certo? Isso é o futuro das cidades, trabalhar para resolver esses problemas. São questões relacionadas mais ao urbanismo do que à arquitetura. Podemos trabalhar a textura do edifício, sua inserção na cidade, é parte do problema, mas os problemas cruciais são os urbanos. Você compartilha a vida numa cidade que, a exemplo de Jacarta, Bangcoc e Cidade do México, cresceram monstruosamente nas últimas décadas", disse o arquiteto.

Os princípios da arquitetura de Thom Mayne não são os da placidez. Seus projetos têm um componente de surpresa, de inesperado. "Numa época em que a mídia dá ao público tudo que este quer e deseja, talvez a arte possa adotar uma postura mais agressiva", diz. A educação já foi objeto de sua arquitetura quando projetou uma de suas obras mais simbólicas, o edifício Cooper Union, em Nova York, cuja estrutura de metal parece fendida por um terremoto.

Com reputação de outsider, um idealista de princípios contraculturais, ainda assim Mayne se tornou um "starchitect", uma estrela da arquitetura. O júri do Pritzker o definiu como "um produto dos turbulentos anos 1960, os quais o dotaram de atitude rebelde e um fervente desejo de mudar sua prática a partir do seu interior, frutas que só agora se tornaram visíveis em um grupo de projetos de larga escala".

Um desses projetos (assim como a Fundação Louis Vuitton de Frank O. Gehry) se destina a mudar a visão de uma das cidades mais tradicionais do planeta, Paris. Trata-se de Phare (Farol), uma gigantesca torre comercial em La Défense, uma espécie de ogiva arquitetônica que deve ser erguida até 2015 numa paisagem em que os grandes edifícios tinham todos sido banidos para áreas distantes da capital.

"Nós só existimos em termos de como pensamos nossa existência. O que significa que cada desenvolvimento cultural é fabricado e pode ser fabricado", disse Mayne. "A multiplicidade de ideias é o que me interessa. O híbrido da sociedade, no qual não há uma ideia singular do que seja o belo."

Com projetos de prédios educacionais em áreas de tecnologia e astrofísica, o escritório de Mayne, o Morphosis, enfrenta o desafio de contrapor-se a um conceito superado, o da "balcanização" dos edifícios de ensino. Essa busca envolve transparência e conectividade, em vez da "departamentalização" que caracterizou os prédios do gênero desde os anos 1950.

A firma de Mayne foi criada no fim dos anos 1980 em Santa Monica, na Califórnia. Ele também lecionou arquitetura na Universidade da Califórnia (a Ucla) e foi um dos fundadores da instituição Southern California Institute of Architecture.

Entre seus projetos mais festejados, está o quartel general da CalTrans em Los Angeles (2004); o San Francisco Office Building (2006); a Wayne L. Morse United States Courthouse (em Eugene, Oregon, também em 2006); e o centro estudantil de recreação da University of Cincinnati (2006), entre outros.

Nicolai Ouroussoff, crítico de arquitetura do New York Times, saudou a ascensão de Mayne por causa de seu "otimismo social" e seu "entusiasmo pela congestão e dinamismo nos quais as cidades prosperam". Suas formas colocam o modernismo em um novo território, apontam outros críticos.

Claro que, como todo "starchitect", há os detratores. Alguns o acusam de "anti-humanista", apontando problemas de funcionalidade em alguns dos seus projetos: luz natural muito forte de um lado e inócua de outro, ginásios em áreas escuras, inadequadas, disposição inadequada das entradas de vento e sol, falta de sensibilidade ambiental.

THOM MAYNE

Instituto Tomie Ohtake. Avenida Faria Lima, 201, tel. 2245-1900.

De 3ª a dom., 11 h/ 20 h. Grátis. Até 4/11.

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