Estreia hoje novo 'Batman', último filme da trilogia

Na semana passada, antes da chacina de Aurora, no Colorado, Christopher Nolan admitia que estava sendo duro se despedir do Cavaleiro das Trevas. Desde que começou a trabalhar no projeto de "Batman Begins" (2005), o diretor já estabelecera o plano da trilogia que agora conclui. Ela o transformou simplesmente em um dos maiores (o maior?) diretores do cinemão. A afirmação soa a provocação. Existem outros grandes, tão grandes, e Nolan, com Steven Spielberg - em outra trilogia, a informal, composta por "O Terminal", "Guerra dos Mundos" e "Munique" -, foram os únicos autores de Hollywood que colocaram na ficção, na tela, os EUA pós 11 de Setembro. E Nolan, que era um diretor - talvez - interessante, mas um tanto insatisfatório, apesar do culto a "Amnésia", emergiu dos seus "Batmans" e de "A Origem" com o status de gênio, não importa quantos o contestem.

AE, Agência Estado

27 Julho 2012 | 10h28

Nem o Coringa maluco, da realidade, vai diminuir sua importância, embora o risco seja a chacina levar a uma leitura equivocada de "O Cavaleiro das Trevas Ressurge". Na ''América'', a bilheteria ficou aquém do esperado, mas pode não ter sido pelo ''ruído'' do barbarismo, e sim pela própria complexidade do roteiro, e da realização. Ao contrário do que sugere "The Dark Knight Rises", o filme não é sobre a ressurreição do Homem-Morcego, mas sobre a sua implosão, ou destruição/superação, para que Bruce Wayne possa ressurgir (ele!) como homem. Nolan não acredita em heróis nem mitos, por mais que sejam necessários, face ao desequilíbrio do mundo. Seu porta-voz é Alfred, o mordomo, interpretado por Michael Caine, quando diz ao apático Christian Bale, do começo, que Gotham City precisa mais de Bruce Wayne que do Batman. No final, uma estátua é erigida em honra do Homem-Morcego, mas as estátuas não têm olhos e, portanto, não têm alma.

O novo "Batman" cria um vilão, Bane, que o espectador vê desde o início. Revela outro, bem mais tarde, e esta é a surpresa do relato, no qual o espectador deve prestar toda atenção. A grande indústria aposta em filmes de entretenimento, para ser consumidos com pipoca e refrigerante. Preste atenção nos diálogos - na milionária Miranda Tate (Marion Cotillard) quando, em plena festa na mansão de Bruce Wayne, diz ao desafeto do milionário que não tem tempo para o que ele representa (nem para o poder que ele pensa que o dinheiro pode comprar). Logo em seguida, Alfred, o mordomo, tenta sacudir o torpor em que se encontra Wayne, após a morte da amada, devolvendo-o à vida. E um pouco mais tarde, o jovem policial esquentadinho, Joseph Gordon-Levitt, vai contar sua experiência no orfanato, quando, por um momento, descobriu no milionário a sua projeção (o seu alter ego?)

Todas essas falas vêm embaladas em ação, e ainda há o chefe de polícia, Gary Oldman, que esculpiu uma mentira em torno de Harvey Dent, um dos vilões, com Heath Ledger, no longa anterior. Toda essa mentira, sobre a qual se assentou a instituição da Justiça, está prestes a ser destruída pelo movimento subterrâneo manipulado pelo vilão. Ele propõe uma revolução, tomar o poder (e o dinheiro) dos ricos, submetê-los aos tribunais revolucionários. E ainda tem Anne Hathaway, que faz Selina, a Mulher-Gato, com quem Bruce Wayne tem uma relação ambígua durante boa parte de "Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge".

O filme teria sido um fracasso na primeira semana, como reação do público à matança no Colorado. Ninguém confirma, mas, extraoficialmente, vários sites comentam que é o contrário e o filme teria arrebentado. "Batman 3" pode ter sido a maior abertura em 2D da história. Assim como silencia sobre os números, a Warner cancelou eventos de lançamento do filme em Paris, Tóquio e na Cidade do México. No Brasil, a distribuidora ainda fechava o número de salas na manhã desta quinta-feira, mas a estimativa é de que elas serão pelo menos 850, em todo o País, incluindo as salas Imax de São Paulo e Curitiba. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

BATMAN: O CAVALEIRO DAS TREVAS RESSURGE

Título original: The Dark Knight Rises. Direção: Christopher Nolan. Gênero: Ação (EUA/164 min.). Classificação: 12 anos.

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