Estreia hoje nos cinemas a animação 'Toy Story 3'

Há no final de "Toy Story 3" uma cena remete ao desfecho do clássico "Os Brutos Também Amam", de George Stevens. Os cinéfilos lembram-se - o menino Joey vê o pistoleiro interpretado por Alan Ladd partir. Corre atrás deles, chama-o, mas Shane não se volta. Uma sombra passa pelo olhar de Joey e o garoto faz-se homem num momento, por meio dessa perda. Em "Toy Story 3", a cena envolve Andy, o garoto que, aos 17 anos, está partindo para a faculdade e deixando seus brinquedos preferidos, especialmente o caubói Woody.

AE, Agência Estado

18 de junho de 2010 | 10h03

Numa conversa por telefone, de Hollywood, o diretor Lee Unkrich confessa-se lisonjeado pela comparação, mas diz que ela está nos olhos de quem vê. "Nunca pensei em Shane, nem depois do filme pronto, mas agora que você está falando percebo que existem implicações. O bom do cinema é isso. Você pode pensar nos filmes, colocar muitas coisas pessoais, mas o olhar do outro é que vai completar a obra. Shane é um clássico, um dos maiores filmes no cinema. Pode ser que, inconscientemente, estivesse no meu, no nosso imaginário, como referência, mas não foi intencional. Fico feliz, porém."

O terceiro filme da série Toy Story estreia hoje nos cinemas do País. Há 15 anos, quando surgiu o primeiro, dirigido por John Lasseter, o público adorou e a crítica imediatamente percebeu que a empresa Pixar, trabalhando com computação, estava revolucionando a animação. Mesmo assim, Unkrich admite que muita coisa mudou, nesta década e meia. "É um período curto, mas naquela época não havia tecnologia para muita coisa que queríamos fazer em Toy Story. No 2 e no 3, o domínio da técnica nos permitiu ir mais longe e isso, ao mesmo tempo, criou novos desafios."

O desenvolvimento da história foi uma etapa decisiva - e demorada. "A linha geral da história, incluindo o final, foi definida em dois dias, mas eles precisaram depois de dois anos e meio de desenvolvimento." O roteiro foi sendo ''aperfeiçoado'' até a montagem final. É como John Lasseter gosta de dizer - a tecnologia, por mais importante que seja, é só uma ferramenta a serviço da história. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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