Estréia filme de diretor belga que debate identidade judaica

´O Tango de Rashevski´, de Sam Garbarski, chega às salas de cinema do País

Agencia Estado

07 de julho de 2002 | 10h06

Primeiro longa de um diretor que jávinha se exercitando no curta por meio de títulos premiados, OTango de Rashevski é mais um filme europeu pequeno que vem sesomar a Um Lugar na Platéia, já em cartaz, como alternativapara espectadores saturados das megaproduções de Hollywood.Preste atenção no nome - Sam Garbarski. Você vai ouvi-lo de novoeste ano. Publicitário belga, dono de uma das maiores agênciasda Europa, Garbarski assina um filme que, pelo visual e pelasintenções dramáticas, pode até ser definido comoantipublicitário.O cinema tem contado muitas histórias para debater a identidadejudaica, mas em geral, ou pelo menos após a 2.ª Grande Guerra, otema, compreensivelmente, costuma ser associado ao Holocausto.Garbarski começa inovando por aí. Há uma discussão sobre o que éser judeu em OTango de Rashevski, mas ela é muito maisassociada ao filtro romântico - e nisso o pequeno filme de SamGarbarski se assemelha ao blockbuster Quarteto Fantástico 2,que também estréia nesta sexta-feira, no qual a entrada do Surfista Prateadocoloca o amor, o afeto como temas dominantes.Há um prólogo neste Tango. O filme começa com este velho judeuque um jovem ortodoxo vem buscar, a pedido do rabino. O velhoestá na estrada, no meio de nada. O jovem diz que veio ‘pegá-lo’ O termo provoca estranhamento - ‘pegar’? Um minuto mais tarde,o velho e o rabino, ao qual está ligado por laços de parentesco- o diálogo deixa claro -, estranham-se. O rabino renega aprópria família porque nela existem góis - nãojudeus. Segue-seuma discussão muito interessante.Hippolyte Girardot faz Antoine, tão apaixonado por Ludmilla quedecide se tornar judeu para poder se casar com a moça. Outrorabino o informa de que, se é difícil ser judeu, é maiscomplicado, ainda, tornar-se um. O filme é a ilustração daadvertência. Trata de três gerações de uma família judaicaestabelecida na Bélgica, os Rashevskis. O tango do títuloexplica-se porque é o ritmo favorito da matriarca, Rosa. Elamorre no começo. A família discute se deve ou não enterrá-lasegundo as tradições judaicas. Surgem as histórias. A rivalidadedos dois irmãos, o neto que ama uma árabe, a humilhação da noranão judia.Garbarski filma contra a ortodoxia. Este tema vai ficar aindamais claro em Irina Palm, em que Marianne Faithfull faz a avóque se torna masturbadora profissional para pagar a operação doneto. Irina Palm será distribuído no Brasil pela Imovision.Garbarski adora os avós. O avô de Tango representa o equilíbriofamiliar. O humor sutil do diretor será uma das descobertasdeste ano.

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