Estreia em SP nova versão de 'Toda Nudez Será Castigada'

Há o Bailarino Solitário, que faz lembrar "Nelson Rodrigues, O Eterno Retorno", de 1981. Também a morte de Geni remonta ao enterro de Zulmira, em "Paraíso, Zona Norte" (1989). Mas a versão de "Toda Nudez Será Castigada", que estreia nesta sexta no Teatro Anchieta, traz um frescor à altura de seu realizador, Antunes Filho. As referências são complementos e reforçam a condição de Antunes como um estudioso em eterna ebulição da obra de Nelson Rodrigues.

AE, Agência Estado

05 Outubro 2012 | 10h48

"Creio que esta seja a minha melhor versão do Toda Nudez", comenta o diretor, que já utilizara a peça no "Eterno Retorno" e também em "Nelson 2 Rodrigues", de 1984. "Agora, aprofundei a sintaxe cinematográfica, ou seja, a edição das cenas tornou-se mais precisa, com sobreposições que ficaram mais legais."

Também o texto ganhou a devida importância, com as palavras ganhando articulação e interpretação. "Duvido que alguém vá deixar o teatro dizendo que não entendeu determinada fala", desafia Antunes, que fez ligeiros cortes no texto ("Apenas o que realmente ficou datado"), permitindo que a tragicidade e o mergulho no inconsciente do texto de Nelson sejam valorizados na devida proporção.

"Toda Nudez Será Castigada" encaixa-se entre as tragédias cariocas, segundo a já famosa classificação proposta pelo crítico e ensaísta Sábado Magaldi à obra de Nelson Rodrigues. Conta a história do viúvo Herculano (Leonardo Ventura), disposto a viver em luto eterno pela mulher, e de seu filho Serginho (Lucas Rodrigues) que, aos 18 anos, passa os dias no cemitério e é "impotente como um santo", na definição das três tias (Mariana Leme, Fernando Aveiro e Naiene Sanchez).

A rotina da família transforma-se radicalmente com a chegada da prostituta Geni (Ondina Clais Castilho), apresentada a Herculano por seu irmão, Patrício (Marcos de Andrade), na esperança de que ele esqueça a esposa morta. Desse primeiro encontro entre o viúvo e a prostituta - que dura 72 horas - surge uma relação doentia, no melhor estilo de Nelson.

Considerada sua última grande peça, "Toda Nudez" traz uma temática forte e uma estrutura dramática madura, além de personagens recorrentes na obra do dramaturgo, como o canalha absoluto (Patrício), as tias carolas e castradoras, o filho dominador e, principalmente, a prostituta, que tanto oscila como uma figura degenerada como uma mulher doce e sensível. Com esta montagem, Antunes festeja devidamente o centenário de nascimento de Nelson Rodrigues e os 30 anos do Centro de Pesquisa Teatral, que dirige. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

TODA NUDEZ SERÁ CASTIGADA

Sesc Consolação (Rua Dr. Vila Nova, 245). Tel. 3234-3000. 6ª e sáb., 21h; dom., 18h. R$ 32. Até 16/12

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