Estréia "América", novela de Glória Perez

Em América, Miami é aqui e todas as noites o espectador poderá espiar a alegria dos freqüentadores da famosa Rua Ocean Drive pela tela de sua televisão. Na novela, que estréia hoje, na Globo, substituindo Senhora do Destino, brasileiros e mexicanos têm um ponto inusitado em comum: todos falam português. O único sotaque que o telespectador vai notar é o do peão Nick, interpretado pelo americano Lucas Babin, que nasceu no Texas e chega à TV para quebrar a seqüência de atores portugueses em novelas tupiniquins. Desta vez, a malvada também é loira - assim como Naza e Laura (Cláudia Abreu) de Celebridade. O papel de May - uma vilã com cara e cabelos de anjo - será interpretado por Camila Morgado, outra atriz de peso. ?Espero ser uma má bem louca, bem Bette Davis". A mocinha Sol, interpretada por Deborah Secco, é uma garota sonhadora que tem certeza de que sua vida só vai deslanchar quando pisar em solo americano. Ela vai chorar, e muito, na novela. Isso porque Sol tentará entrar nos Estados Unidos muitas vezes e será deportada outras tantas. O diretor Jayme Monjardim diz que sua equipe já viajou cerca de cinco vezes para a tão sonhada América para gravar cenas da novela - e continuará com as viagens. Um luxo: todas as externas de América foram gravadas em High Definition (HD). O diretor explica que a melhora de qualidade da imagem existe, mas é sutil, já que a transmissão para a casa do telespectador não é feita nesse sistema. Para filmar nos Estados Unidos, Monjardim conta com o apoio da Globo Internacional, com sede em Nova York, comandada por Amauri Soares. Muitas imagens foram captadas na fronteira do México com os Estados Unidos para acompanhar a trajetória de Sol. O par romântico de Deborah Secco é Murilo Benício, que vive o peão de rodeios Tião. Desta vez, Murilo fará só um papel e não três, como em O Clone, mas, além de ser o herói, ele ainda defenderá um dos temperos da novela: seu personagem passará por uma experiência de quase morte após um acidente de montaria. Tião terá um contato muito forte com seu pai Acácio, interpretado por Chico Diaz, que morrerá no início da trama. O público, sortudo, poderá conferir o trabalho de Chico Diaz durante toda a novela, já que a morte não significará o fim da relação entre pai e filho. ?Acácio não vai ser um personagem de todo o dia, o que é bom porque lhe dá uma certa poesia?, fala o ator. ?Vai ser pouco e bonito. É um personagem doce que discute a paternidade, a eternidade e a permanência...? Essa é a segunda vez que o ator assina contrato para fazer uma novela inteira. A primeira foi em A Força de um Desejo, trama de Gilberto Braga. Aliás, América também será a segunda novela de Matheus Nachtergaele, que estreou na área em Da Cor do Pecado, de João Emanuel Carneiro, e agora viverá Carreirinha, um peão amigo de Tião. Imigração ilegal, células-tronco, proteção aos animais, vida após a morte, deficientes físicos. Você acha que já tem argumento demais em América? Pois os temas não param por aí! Christiane Torloni será Haydée, uma mulher refinada e elegante que sofrerá nas mãos do marido infiel - Glauco (Edson Celulari) - e terá ataques de cleptomania. Aliás, Celulari também criará polêmica com seu personagem, que abandonará a mulher depois de se apaixonar por uma menina, a Lurdinha, vivida pela estreante na TV Cléo Pires, filha de Glória Pires. E as causas defendidas em América vão além. O movimento feminista não poderia ficar de fora quando um dos núcleos principais da novela é a arena de rodeio - ambiente dominado por homens. Porém, Glória Perez se inspirou na vida de uma mulher que quebrou barreiras nesse universo machista, tornou-se a primeira locutora de rodeios e é retratada na trama por meio da personagem Gil (Lúcia Veríssimo).Para amarrar toda a história, Glória Perez precisou criar muitos personagens, que não ficarão imóveis em seus respectivos núcleos - cidade, subúrbio, campo, Miami rica e Miami pobre - e transitarão por eles, costurando o enredo. América conta com um elenco de 60 pessoas. É tanta gente que foram necessárias duas figurinistas (Marília Carneiro e Mayza Jacobina para vestir o cast. As externas também foram muitas, entre Estados Unidos, Barretos, Pantanal... Tudo é muito em América.Da Imigração ilegal às células-tronco - A imigração ilegal aos Estados Unidos e a vida dessas pessoas que passam o estresse de atravessar a fronteira e convivem com o medo de serem deportadas é o argumento central da novela de Glória Perez, que fez pesquisa in loco, entrevistou dezenas de imigrantes em Miami e tentou retratá-los na trama. A cidade mais caliente dos Estados Unidos foi reproduzida no Projac, os estúdios da Globo em Jacarepaguá, no Rio, para abrigar o núcleo que tem suas histórias desenvolvidas por lá. Estão nesse pacote os atores Roberto Bomfim, Cláudia Jimenez, Rosi Campos, Juliana Knust, Simone Spoladore, Eva Todor, Betty Faria, Caco Ciocler e a vilã Camila Morgado, entre outros. Segundo a Globo, essa foi a maior cidade cenográfica já construída para uma novela. Somente uma porta separa Miami de Vila Isabel, o subúrbio da nova trama. Mas América terá várias vertentes e causas paralelas. Marcos Frota e Bruna Marquezine, por exemplo, defenderão o respeito aos deficientes ao interpretarem dois cegos, Jatobá e Maria Flor. Glória Perez espera, assim, que haja melhoria nas ruas, transportes e locais públicos para o acesso dos portadores de deficiências que não são obrigados a ficar em casa porque a cidade não foi pensada para eles. Já no núcleo rural, liderado por Murilo Benício, haverá a discussão sobre a proteção aos animais de rodeio. A causa seria mais amplamente discutida na novela, porém um incidente na internet diminuiu a ação da campanha. Glória Perez foi ameaçada por pessoas que se diziam militantes de uma ONG de proteção aos animais. Em represália, a autora recuou - a defesa aos animais será abordada, mas em menor proporção.Depois de falar de inseminação artificial (em Barriga de Aluguel), transplante de órgãos (em De Corpo e Alma) e clonagem (em O Clone), a autora tentará traduzir outro assunto científico em América, as pesquisas com células-tronco, que acabaram de ser liberadas.

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