Estréia 3.º episódio da série sobre Chico Buarque

Gravado em Roma, onde Chico viveu exilado de janeiro de 1969 a março de 1971, Vai Passar é o terceiro episódio da série Chico Buarque, que estréia hoje na DirecTV. O documentário viaja nas memórias do compositor durante o período da ditadura em que esteve exilado em Roma e enfoca o aspecto político de sua carreira e obra. "A ditadura encheu muito meu saco, mas eu também enchi o deles bastante", diz o compositor. Entre os vários truques que usou para driblar a censura, o mais conhecido foi o fato de assinar como Julinho da Adelaide as músicas Acorda, Amor e a citada Jorge Maravilha. Preso e liberado depois da promulgação do AI-5, em dezembro de 1968, Chico e Marieta Severo (então grávida da primeira filha, Sílvia), viajaram para a França para participar de um festival de música. Por sugestão de amigos, decidiram permanecer na Europa e se instalaram em Roma. Como a maioria dos exilados tinha escolhido Paris, ali era difícil encontrar brasileiros. "Quando aparecia alguém era uma festa", lembra Chico, ressalvando que sempre tinha de ficar com um pé atrás.Conhecido andarilho, Chico lembra que percorreu todas as ruas do centro histórico de Roma, onde voltou para as gravações. Ali, no restaurante Al Moro, reencontra o amigo italiano Sérgio Bardotti, parceiro da canção inédita Risotto Nero. Recordam um encontro com Vinicius de Moraes, fazendo piada sobre a ditadura.Além de uma entrevista para a RAI e dos passeios, há bom material de arquivo, que mostra Chico cantando clássicos como Cálice (com Milton Nascimento) e Sabiá (com Tom Jobim), falando de músicas que teve utilizadas indevidamente. Belas imagens da Revolução dos Cravos, de 1974, em Portugal, ilustram Tanto Mar. Do centro da campanha pelas Diretas Já, em 1984, o programa conduz Chico até a avaliação do governo Lula. É assunto que renderia outro programa.Vai Passar - Canal 605 da DirecTV - Diariamente, 12h, 13h30, 15h, 16h30, 18h, 19h30, 21h, 22h30,0h e 1h30. Até 6/4. Estréia hoje.

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