ESTRANHA E GRACIOSA

Toda autoral e com participação do pai Zé Miguel, Marina Wisnik faz boa estreia

EMANUEL BOMFIM, O Estado de S.Paulo

25 de fevereiro de 2012 | 03h06

Bendito é o ré que não existia no violão de Marina Wisnik. Ao empunhá-lo, não tinha a noção do quanto a restrição poderia "entortar" suas composições. Para ela, era só mais um limite, cerne do que considera fundamental para se obter a "liberdade criativa". Estava acostumada a construir palíndromos desde a adolescência, quando delimitar arestas pode ser o melhor caminho para se soltar. E assim fez naquele surrado violão sem uma corda: aplicou melodia ao que era só imagens ou palavras.

Hoje, quatro anos depois e com disco de estreia pronto, a filha do compositor Zé Miguel Wisnik entende mais a importância do ré (ela se distancia de qualquer papo de especialista) e quer provar do frescor de uma obra intuitiva e bem assessorada. Na Rua Agora contou com produção do amigo Marcelo Jeneci, o primeiro a aplicar arranjos em suas doces e estranhas canções.

Juntos, ainda convocaram Yuri Kalil para constituir o núcleo pensante do trabalho. Mas, e o Zé? "A relação dele com a arte, a paixão dele pela música me influenciaram muito. Eu sou muito ligada a ele, temos uma superamizade. Mas no meu processo musical, eu procurei trilhar um caminho próprio. Ele não chegou a me influenciar neste disco", explica a cantora, que também é atriz e arte-educadora.

Ainda assim, pai e filha assinam a letra da faixa Miragem. As demais são todas de autoria de Marina, uma cantora que ainda se mostra desconfortável com o ofício à frente do microfone e da banda. "Mesmo sendo atriz, minha parte interpretativa não é o que mais aparece nesse momento. É algo que vou descobrindo com o tempo, correndo atrás das músicas que já existem", diz.

Mal sabe ela quanto sua voz serena ajuda a embarcar num universo de cenas cotidianas, sem qualquer narrativa convencional ou entrega exagerada. São canções simples, de instrumentação acústica, e graciosamente pop.

Assim, de mansinho, Marina expõe um universo pessoal e lúdico em contato com referências que vão de Beatles, Mutantes a Itamar Assumpção.

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