Estrangeiros viajam ao Rio para ajudar a produzir Carnaval

Aplicar lantejoulas emfantasias, e pagar por isso, não parece ser a diversão idealpara as férias. Mas, para um grupo de jovens estrangeiros, a maioriabritânicos, trabalhar no barracão da Mangueira para o Carnavaldeste ano representa uma oportunidade de experimentar overdadeiro sentimento da festa. "Queria ver o lado normal do Rio, eu não queria sersimplesmente uma turista", disse à Reuters Sarah Wilton,estudante de arte de 19 anos e garçonete na cidade inglesa deDerbyshire, enquanto adornava um adereço representando a cabeçade um touro verde com chifres lilás. A menos de duas semanas dos desfiles na Marquês de Sapucaí,os turistas voluntários pagam em média 49 dólares (cerca de 88reais) por dia a um grupo sem fins lucrativos que organiza avinda deles para trabalharem no abafado barracão da escola desamba, onde ajudam na confecção de fantasias. Enquanto milhares de turistas invadem a cidade para oCarnaval, os voluntários garantem que não há melhor forma deaprender sobre a cultura e conhecer os cariocas do quetrabalhando nas escolas. "O Carnaval é algo grandioso, você ouve falar do Carnavaldo Rio desde pequeno", disse Rebecca Vitkovitch, 18 anos, quetambém trabalha como garçonete na Inglaterra. "Você é apenas uma pequena parte disso, mas é uma pequenaparte de uma longa corrente, um longo processo, então érealmente bom estar aqui." Sarah, que desde dezembro participa da produção do desfileda escola, acrescentou: "O que eu mais gosto é das pessoas.Elas são realmente amigáveis, são divertidas... Eu me sintocuidada, mesmo sem entender o que eles estão dizendo." Luis Felipe Murray é o coordenador do grupo I-to-I, que hádois anos traz voluntários estrangeiros para trabalhar embarracões de escolas na Cidade do Samba. "Ano passado nós tivemos duas pessoas, agora temos 17trabalhando em duas escolas de samba. Para o próximo ano,estamos fazendo acertos com três ou quatro escolas, porque ademanda está aumentando", disse Murray. Surjit Singh, de 27 anos, comissário de bordo inglês daVirgin Atlantic, disse que estava contente com a hospedagem eprogramação conseguidas por 700 dólares com o I-to-I, sempassagem aérea. O albergue onde está hospedado em Santa Tereza tem vistapara o Cristo Redentor e ele ainda dá aulas de surfe parajovens carentes da cidade, como parte do programa. Mesmo com todo o trabalho duro, os voluntários aindapretendem ter diversão. "Eu vou desfilar com a Mangueira. Queroestar em um dos carros alegóricos da escola", disse Singh.

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