'Estômago' abre Festival de Cinema Brasileiro em Milão

O Instituto Brasil Itália (IBRIT) promove entre 19 e 23 de maio, em Milão, a quinta edição do Festival de Cinema Brasileiro na Itália, com 12 filmes e documentários. A mostra abre com "Estômago", do curitibano Marcos Jorge, premiada produção ítalo-brasileira que narra a relação entre o poder e a comida em dois momentos de ascensão e queda do imigrante nordestino e presidiário Raimundo Nonato/Alecrim.

ANA KATIA, Agência Estado

18 de maio de 2010 | 13h01

"Queremos mostrar que o Brasil está fazendo cinema de qualidade", diz Regina Nadaes Marques, organizadora dos eventos do instituto. "O IBRIT tem como missão divulgar a cultura brasileira e a língua portuguesa na Itália. Buscamos trazer aos italianos a imagem do Brasil moderno, que conte sobre nós mais que os estereótipos mais difundidos por aqui, mesmo sem negá-los - tanto é que temos dois filmes sobre futebol". Trata-se de "Loucos de futebol", coletânea de histórias de Halder Gomes sobre o universo do torcedor, e "Nada vai nos separar", de Saturnino Rocha, sobre o Internacional. "Em Milão há uma enorme torcida da Internacional de Porto Alegre que já está se mobilizando para ver o filme e conversar com o cineasta", diz Regina.

Entre filmes de autor ("Cheiro do ralo", de Heitor Dhalia, e "Olho de boi", de Hermano Penna), comédia ("Divã", de José Alvarenga Jr) e documentários ("Mestre Leopoldina", de Rose La Creta, e "O homem que engarrafava nuvens", de Lírio Ferreira), a edição deste ano também homenageia os 50 anos de Brasília, com "A Invenção de Brasília", de Renato Barbieri e narrado por Fernanda Montenegro, e "Oscar Niemeyer, a vida é um sopro", de Fabiano Maciel.

O Festival de Cinema Brasileiro na Itália foi criado em 2004, quando a Prefeitura de Milão pediu ao IBRIT para organizar uma série de eventos comemorativos aos 450 anos de São Paulo - na ocasião, a mostra cinematográfica exibiu produções paulistas. Segundo Regina, o público é formado em sua maior parte por italianos interessados no País e em cinema, especialmente os que não chegam ao circuito comercial.

"Infelizmente apenas um filme brasileiro, em média, é distribuído na Itália por ano, ficando em cartaz em apenas uma ou duas cidades, por poucos dias.", diz a organizadora. A questão da distribuição de filmes será um dos temas abordados numa mesa redonda organizada na Universidade Cattolica de Milão, com a presença dos produtores italianos de "Estômago".

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