ESTILO PARA LER E APRENDER

Obras investigam a história e a evolução fashion ao longo dos séculos

FLAVIA GUERRA, O Estado de S.Paulo

30 de dezembro de 2012 | 02h05

Moda para ler, para aprender, para entender o passado, para pensar o futuro, para compreender as tendências, para fazer dinheiro, para desfilar... Provando que este universo é mais que consumo, uma nova leva de livros sobre o mundo fashion chegou às livrarias neste ano e já se tornou referência para quem, muito mais que comprar, quer pensar moda.

E certamente há um livro para cada uma das vertentes deste tema. De dicionários de materiais a guias de estilo, passando por estudos sobre economia e sustentabilidade, as opções são muitas.

Para quem quer começar estudando os fatos que marcaram a história fashion dos últimos dois séculos, Cronologia da Moda - De Maria Antonieta a Alexander McQueen é uma das mais completas opções. Escrito pela fotógrafa de moda britânica NJ Stevenson, com tradução de Maria Luiza X. de A. Borges, o volume refaz a trajetória dos anos fashion por meio de grandes nomes da história. Stevenson parte da saga de Maria Antonieta, a última rainha da França, que, entre outras, marcou época por se recusar a usar os desconfortáveis espartilhos e encarou a Revolução Francesa exibindo seus impecáveis e rebuscados penteados.

De Antonieta, passamos à mulher do século 19, cujo ícone é Josefine Bonaparte. A mulher de Napoleão era independente e exibia com elegância sua silhueta imponente, fazendo uso do melhor estilo imperial para desfilar trajes com muita renda, pluma, peles e joias. Segue-se o romantismo, a era vitoriana, o homem ganha mais espaço e faz história com o chapéu coco em 1850, enquanto a alta costura como a conhecemos nasce por volta de 1860. Até chegar a Alexander McQueen, o belo trabalho de Cronologia traz centenas de outros destaques. Entre eles, acessórios, tecidos, costumes, peças que se tornaram clássicas, personalidades como as it girls de Sex and the City, Madonna e até Gisele Bündchen ou grandes estilistas como Dior, Chanel e Vivienne Westwood ganham destaque. Por fim, McQueen, que morreu em 2011, ganha perfil especial e fecha o livro, como símbo e aposta de um novo futuro fashion.

Para quem prefere uma versão mais compacta, Como Compreender a Moda - Guia Rápido para Entender Estilos, de Fiona Ffoulkes, é ótima solução. Como o nome diz, é compacto, cabe na bolsa e é um socorro rápido para quem precisa saber, por exemplo, em questão de minutos, a diferença entre um blazer tradicional (com abotoamento duplo) e o estilo colegial (com apenas três botões). Quer descobrir como eram as roupas de verão no século 19? Ou entender por que vestidos marinheiros traziam uma bainha um pouco acima do tornozelo, dando praticidade às banhistas em 1872? Consulte a página 161. E como estes quilos de tecido acabaram sendo reduzidos ao conjunto de duas peças chamado biquíni em 1953? Vá para a página 163.

Pode até parecer superficial a saga dos trajes de banho ao longo das décadas, mas o encurtamento das bainhas acompanhou uma revolução de costumes sem precedentes na história. E é esta transformação cultural e de consumo que culmina em A Revolução do Fast-Fashion, de Enrico Cietta. De olho nas indústrias híbridas, o autor analisa não só as mudanças criativas mas também de produção. Em um mundo em que o fast fashion dita e reedita moda do dia para a noite, Cietta ensina a quem é, ou quer ser, empresário do setor a se tornar competitivo no mercado internacional.

Quem quiser ir mais a fundo na questão da moda sustentável, tem à mão Moda & Sustentabilidade - Design para Mudança, de Kate Fletcher e Lynda Grose, escrito de olho em um setor criativo que luta para descobrir modelos mais sustentáveis de fabricar tecidos, ditar tendências e reaproveitar materiais. E para quem, mais que história ou negócios, quer conhecer boas crônicas e ter uma visão diferente do universo fashion, A Moda e o Novo Homem, de Flávio de Carvalho, é imperdível. O arquiteto e artista plástico ousou ao, em 1956, criar uma série de artigos para o jornal Diário de São Paulo, em que, pioneiramente e contra os preconceitos, versava sobre a moda e o masculino e as transformações das vestimentas ao longo dos séculos. Carvalho construiu o que batizou de dialética da moda e, como resultado, criou, parafraseando Christian Dior, o "new look de verão", look que dizia ser perfeito para o clima tropical quente do Brasil, em que, entre outros detalhes, saia para eles era item imprescindível. Causou, claro, como todo bom fashionista.

Para quem, além de história e negócios, quer mesmo acertar no estilo, Na Moda Sem Erro, de Dinah Bueno Pezzolo, ex-editora do Suplemento Feminino do Estado, traz dicas preciosas de como unir conhecimento à prática.

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