Estilistas de ponta marcam presença no "Agulhas"

Pelo quinto ano consecutivo, Jô Clemente realizou seu desfile beneficente chamado Agulhas da Alta Moda Brasileira, comemorando 40 anos de existência da Associação Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) de São Paulo com a maior versão já feita do evento. Uma tenda de 4 mil metros quadrados, em tons de amarelo e azul, foi montada dentro do Parque Villa Lobos para receber cerca de 1.700 convidados que pagaram R$ 300,00 pelo convite.Pela primeira vez, estilistas de ponta da moda brasileira participaram do evento. Cada um mostrou um modelo de festa. Alexandre Herchcovitch, Andréa Salleto, Clô Orozco, Fause Haten, Glória Coelho, Lino Villaventura, Maria Cândida Sarmento, Reinaldo Lourenço, Renato Loureiro, Tufi Duek, Vera Arruda e Walter Rodrigues se juntaram a nomes tradicionais de roupras de casamento e black-tie como Junior, Mônica Conceição, Paulo Araújo e Sergio Blain. O tema da noite era a imigração no Brasil. O desfile foi entremeado por depoimentos de imigrantes famosos e duas coreografias do Balé da Cidade, a última delas com participação das crianças da Apae, que empunhavam bandeiras do mundo todo. Depois do desfile, a passarela-palco se transformou em pista de dança.Num primeiro momento, já no final do desfile, os fashionistas que estavam presentes ficaram chocados com o vestido pink identificado como sendo de Tufi Duek (Forum e Triton). Minutos depois, alívio: entra um elegante longo preto e branco, todo bordado, mimetizando a calçada de Copacabana - uma referência já facilmente associável ao universo de Tufi. Mas é admirável como dona Jô Clemente consegue reunir mundos tão diferentes em seu evento. A platéia misturava famílias de patrocinadores (os Brandão, os Safra, os Setúbal), os estilistas participantes, os cliente da alta moda (de Janete Boghosian e Viviane Senna a Vera Loyola), gente de televisão (Tom Cavalcante, Tiazinha, Luciano Szafir), cantoras e atrizes (Eva Wilma, Zezé Motta, Zizi Possi, Betty Faria e Cristiane Torloni, que desfilou um modelo do carioca Carlos Tufvesson) e muito do PIB nacional. E na passarela essa mistura também apareceu. O mais incrível, como observou o estilista Walter Rodrigues, foi notar como uma idéia de origem radical (os babados e cascatas de tecidos inacabados da japonesa Rei Kawakubo, que dão à roupa um caráter tridimensional) se incorpora aos establishment. Muitos dos modelos desfilados usavam, de alguma maneira, este recurso. Mas é muito provável que poucos de seus criadores saibam onde o galo cantou primeiro. Hoje, o Agulhas substitui de certa maneira a Feira da Bondade que, durante 35 anos, arrecadou fundos para a Apae-SP, tornando possível a construção de sua sede paulista. Depois, em 97, Jô, que é presidente da Apae, idealizou o Agulhas para captar recursos para a construção de um centro voltado para os idosos excepcionais, já que funciona atendendo 150 idosos e se chama Centro Sócio-Ocupacional Zequinha, nome do filho de Jô. A renda desta edição será destinada a um programa de integração de escolas, ensinando a mais professores como lidar com esses alunos especiais.

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