Estilista Lorenzo Merlino tem coleção apreendida após desfile

Segundo oficial de Justiça, blitz é por causa de uma ação movida em 2002 por funcionário de um salão de beleza

Bruno Tavares, Letícia Santos e Valéria França, de O Estado de S. Paulo,

19 Janeiro 2008 | 20h37

Num dia de desfiles mornos e poucas celebridades, a São Paulo Fashion Week (SPFW) foi sacudida por um caso de polícia. Por volta das 16 horas deste sábado, 19, um oficial de Justiça e seis policiais militares entraram no camarim do estilista Lorenzo Merlino. Traziam um mandado de busca e apreensão de mercadorias expedido pelo Tribunal Regional do Trabalho (TRT) de São Paulo. Só depois de 40 minutos de discussão e da intervenção de Paulo Borges, o coordenador do evento, é que as modelos de Merlino tiveram autorização para pisar na passarela. Ainda assim, todos os holofotes continuaram voltados para a confusão dos bastidores.   Veja também: Blog da SPFW 2008    Após mais de três horas de incertezas, agentes da Polícia Federal saíram do prédio da Bienal carregando seis caixas de papelão. A informação, confirmada pela oficial de Justiça Isabel Esther de Oliveira Costa, do TRT, era de que toda a coleção de 2008 havia sido confiscada para garantir o pagamento de dívidas trabalhistas.   Segundo ela, a blitz era resultado de uma ação movida em 2002 por um funcionário de um salão de beleza, do qual Merlino seria sócio. "Isso não quer dizer que ele é desonesto", ponderou Isabel. "Essa apreensão é fruto de um processo judicial que pode ou não ser justo." A oficial de Justiça também fez questão de dizer que a ida da "força-tarefa" à SPFW não teve a intenção de constranger o estilista. "Tentamos encontrá-lo diversas vezes e, como não conseguíamos, viemos até aqui", explicou.   Um dos advogados de Merlino, Remo Bataglia, admitiu que seu cliente tinha uma dívida trabalhista. Há pouco menos de dez anos, disse ele, Merlino e alguns familiares emprestaram seus nomes a um salão de beleza. "Ele nunca foi dono do negócio", afirmou. A assessoria da marca informou que a dívida era de R$ 80 mil. Merlino saiu por uma escada de incêndio, sem falar com a imprensa.   Para completar o pesadelo do estilista, seu desfile foi considerado um dos piores da temporada. Aos 35 anos, Merlino tem uma carreira parecida com a de outros estilistas de seu geração. Formado em moda pela Faculdade Santa Marcelina, fez estágio no Instituto Berçot de Paris, um dos mais renomados do mundo. De volta ao Brasil, lançou a marca que leva seu nome e entrou no roteiro dos desfiles. Ele estreou na SPFW no lançamento das coleções de verão 2002/2003. É considerado um estilista irregular, que às vezes acerta a mão e, em outras, compromete a qualidade da coleção.

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