Esther Góes enfrenta novo desafio em "Abajur Lilás"

A sensibilidade move as atitudes da atriz Esther Góes - surpreendida por um telefonema do diretor Sérgio Ferrara, no fim do ano passado, convidando-a para participar da montagem de Abajur Lilás, de Plínio Marcos, ela não precisou de muito tempo para se decidir. "A peça de um grande dramaturgo exige a presença de um diretor sensível e, mesmo não conhecendo com detalhes o trabalho do Sérgio, senti que deveria aceitar", comenta Esther, que hoje se destaca no papel de Dilma, em uma montagem equilibrada por boas interpretações.Depois das primeiras leituras, a atriz sentiu-se plenamente recompensada. Como o texto de Plínio Marcos coloca os personagens em situações-limite, a busca por um realismo convincente, que sustente as sutilezas do tratamento poético do enredo, exigia um detalhado trabalho do diretor. "E Sérgio revelou-se um mágico", elogia Esther. "Ele não interfere demais no trabalho de composição do ator, sendo até lacônico em suas intervenções, mas conseguiu apontar o caminho certo, o que é imprescindível para a unidade do espetáculo."O diretor, por sua vez, contou com o importante apoio de Esther e dos demais atores da peça para viabilizar o projeto. "O mercado ainda exclui os grupos que insistem em pesquisar autores essenciais da nossa dramaturgia, como Plínio", comenta Ferrara que, nas conversas que manteve com empresários na busca de apoio financeiro, sempre esteve acompanhado de Esther Góes. "Ela se tornou cúmplice da produção e ofereceu seu prestígio em busca de apoio."Abajur Lilás narra o clima de tensão entre as prostitutas Dilma, Célia (Magali Biff) e Leninha (Lavínia Pannunzio), dominadas por Giro (Francarlos Reis), cafetão homossexual que conta com o auxílio do leão-de-chácara Osvaldo (Elder Fraga) na exploração das mulheres. "O tom de brasilidade do texto me faz lembrar do meu personagem em Stelinha, que tem a mesma proximidade", comenta Esther, referindo-se ao filme de Miguel Faria Jr., um de seus vários trabalhos em 30 anos de carreira.Sempre intensa e veemente, a atriz coleciona uma série de papéis que considera inesquecíveis. "É claro que existem aqueles momentos que não gostamos de lembrar, mas também há outros, realmente importantes", comenta, lembrando-se do monólogo Não Tenha Medo de Virgínia Woolf, coletânea de fragmentos de livros, cartas, anotações e fotografias da autora inglesa, um trabalho que ela própria roteirizou e produziu. "Foi um papel que me marcou muito, por ser extremamente autoral."Outro desafio foi montar Santa Joana, de Bernard Shaw, em que viveu o papel de Joana D´Arc. "Foi um momento apaixonante, principalmente por se tratar de um texto histórico que acompanha o percurso de uma personagem fascinante." Também as montagens das peças de Bertolt Brecht são referência em sua carreira, como O Que Mantém o Homem Vivo."O teatro sempre teve uma grande importância social ao revelar, com sensibilidade, os problemas humanos; é o que sempre busquei em meu trabalho", comenta Esther, estranhando o reduzido sucesso atingido por Cândida Erêndira e Sua Avó Desalmada, inspirado em Gabriel García Márquez. "É um texto poderoso, mas o realismo mágico não encantou tanto as pessoas", comenta Esther, que participou ainda de montagens marcantes como Hair e O Rei da Vela. "Sempre acertei quando encarei a arte como revolucionária."Abajur Lilás. Drama. De Plínio Marcos. Direção Sérgio Ferrara. Duração: 1h15. Sexta e sábado, às 21h30; domingo, às 20 horas. R$ 12,00 e R$ 15,00 (sábado e domingo). TBC - Sala Arte. Rua Major Diogo, 315, tel. 3115-4622. Até 26/6.

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