'Estão um imitando o outro'

Com oito álbuns gravados em 2012, Victor e Leo chegaram aos 20 anos de carreira. Mas o sucesso só veio em 2006, quando o Victor e Leo Ao Vivo, produzido sem gravadora, se espalhou em cópias pirateadas. Antes da fama, os irmãos sentiram frio na barriga em testes de talento e se apresentaram em dezenas de bares de Minas Gerais e São Paulo.

Entrevista com

O Estado de S.Paulo

24 de setembro de 2011 | 03h09

No início da carreira, vocês

passaram por uma audição para tocar em uma casa da capital. Como foi ter pessoas avaliando seu trabalho para tocar numa casa de shows?

Leo - Você ainda não está maduro suficiente na carreira, qualquer situação de aprovação importante a que você se submete te deixa nervoso ou com aquele frio na barriga. Com o tempo, as vivências fazem com que a gente relaxe e não se sinta pressionado. Na audição, sentimos um frio na barriga, não tínhamos tanta bagagem embora já com 10 anos de carreira. Mas sempre acreditamos muito no nosso trabalho e o público nos recebeu bem, isso faz com que você relaxe também.

Hoje, o sertanejo é o estilo mais tocado nas rádios da capital. E todos os dias dezenas de duplas chegam em São Paulo em busca do sucesso. Como vocês veem isso?

Leo - É bom surgirem novos talentos, mas quando isso acontece sem originalidade e sem personalidade fica muito repetitivo e acaba saturando. O momento que vivemos na música sertaneja requer esse cuidado. O fato de hoje ser um estilo forte em rádios e na mídia em geral não significa que é para sempre. Quando surge uma dupla ou um cantor realmente diferente, com talento, estilo próprio e personalidade musical, é bom pra todo mundo, mas nos dias de hoje está mais raro isso acontecer. É tudo muito igual, um imitando o outro e você não consegue distinguir quem é quem. Não vejo com bons olhos.

Qual o peso de São Paulo para o sucesso de um artista sertanejo? É importante que uma carreira comece aqui?

Victor - Não necessariamente, embora a visibilidade seja importante. Nossa carreira começou em Abre Campo, Minas Gerais. Mas enquanto crescíamos, fomos para Belo Horizonte e depois São Paulo. Tudo tem seu tempo e sua hora. A hora boa para se mostrar algo é quando se está pronto, maduro. Por isso acredito que o passo a passo seja muito importante. Seja por São Paulo ou não, estudar canto é importante para se ter técnica, apresentar-se em bares é importante para praticar a lida com o público e com o palco, e amar o que se faz, sem a busca frenética por fama ou outros valores vazios. Sucesso é estar bem consigo.

Hoje, o que uma dupla ou um cantor sertanejo tem que ter para fazer sucesso?

Victor - A palavra sertanejo precisa fazer sentido. Então, conhecer a essência disso é fundamental. Talento, muita gente tem. Como se usa é que faz a diferença. Então, além de essência, estudo e prática, tão importante quanto o que se faz num palco, é o que se faz fora dele. Atitudes baseadas em sua verdade, e não em vaidade, levam sempre à realização. Estar feliz em cada momento, seja num bar ou em grandes shows, é o verdadeiro sucesso. / C.B.

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