ESTANTE DA SEMANA

A BIOGRAFIA DE UM ESCRITOR. UM MESTRE DO CONTO.Um nome de destaque na galeria de brasileiros que começaram como jornalistas, ou fizeram do jornalismo a segunda profissão, depois de se tornarem grandes escritores. Uma galeria que reúne, só para citar alguns nomes, Nelson Rodrigues, Graciliano Ramos, Machado de Assis, Carlos Heitor Cony, Monteiro Lobato, Rachel de Queiroz, Antônio Callado, Lima Barreto, Euclides da Cunha, Carlos Drummond de Andrade, Ignácio de Loyola Brandão, Wander Piroli e Luís Fernando Veríssimo. Estamos falando de João Antonio - aliás, João Antonio Ferreira Filho -, o contista de Malagueta, Perus e Bacanaço (1963), um livro que é o melhor retrato do submundo urbano de São Paulo. Em bares, restaurantes pobres, bilhares e esquinas, a marginalia revela seus tipos, manias, recursos.A história do escritor está agora impressa em Paixão de João Antônio (330 págs., R$ 49,00), um relato do também jornalista e escritor Mylton Severiano, que acaba de chegar às livrarias com o selo de prestígio da Editora Casa Amarela, a mesma da revista Caros Amigos. Um pouco do que diz o autor de seu personagem: "A biografia daquele que os críticos põem entre nossos maiores escritores do século 20, um ´clássico velhaco´ aos 26 anos".A linguagem rápida, direta e expressiva de seus personagens, João Antonio aprendeu desde muito cedo, trabalhando atrás de um balcão. Depois percorreu São Paulo, comprando mercadoria para revender. Cursou a Escola Normal. Durante algum tempo, foi contínuo de escritório e almoxarife em várias empresas. Trabalhou numa fábrica e lecionou na Escola de Polícia. Finalmente, foi redator em jornais e agências de publicidade. Mas ainda muito moço ingressou no jornalismo. Foi copy-desk do Jornal da Tarde por três anos. Depois da publicação de Malagueta, Perus e Bacanaço, sua estréia, recebeu vários prêmios, e o livro foi traduzido em nada menos de dez línguas: alemão, espanhol, francês, holandês, inglês, italiano, polonês, romeno, russo e tcheco.A HISTÓRIA DE MARCAS FAMOSAS. E DE QUEM AS CRIOU.Está chegando às livrarias, com o selo da Editora Imprensa Oficial, a história de muitas marcas símbolos, de empresas e instituições, criadas, ao longo de quase cinqüenta anos, pela Cauduro Martino Arquitetos Associados. Uma extensa galeria ilustra a edição bilíngüe (português e inglês) de Marcas CM/ Trade Marks (352 págs., R$ 39,00). Um livro que mereceu a apresentação de um ícone da cultura brasileira: o poeta (papa do concretismo) Décio Pignatari, também teórico da comunicação. Em seu texto, sob o título Marca do Tempo, tempo da marca, ele mostra que a Cauduro Martino criou no Brasil o conceito de identidade total.Um outro texto repleto de elogios ao livro tem a assinatura do professor Chico Homem de Melo, da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo. Diz ele em O design brasileiro nas marcas da CM: "Nenhuma história do design brasileiro pode ser escrita sem que a obra da Cauduro Martino ocupe lugar de relevo. O sinal que abre este livro data de 1956. Em 2006, portanto, a CM completa cinqüenta anos de atividade ininterrupta. O primeiro impacto que temos ao iniciar o passeio por mais de trezentas páginas é a segurança estampada desde os trabalhos inaugurais. João Carlos Cauduro e Ludovico Martino começaram seu percurso com uma firmeza que só se adquire após anos de caminhada".OS ANOS DIFÍCEIS DA PROPAGANDA, AMEAÇADA DE CENSURA.A história de uma ameaça à propaganda em geral e, especialmente, do que fizeram os publicitários brasileiros para enfrentá-la. O relato, do jornalista Ari Schneider, está em Conar 25 anos - Ética na Prática (188 págs., R$ 68,00), lançado recentemente pela Editora Terceiro Nome, em parceria com a Albatroz. O livro conta não apenas como nasceu o Conselho Nacional de Auto-Regulamentação Publicitária, o Conar, em reação à ditadura militar, mas também resgata muitos casos marcantes que atestam a sua atuação contra a censura. O governo federal pensava em impor uma espécie de censura prévia à propaganda em geral. Se a lei fosse implantada, nenhum anúncio poderia ser veiculado sem que antes recebesse um carimbo de "Aprovado" ou algo parecido, o que representaria um imenso retrocesso para um país que reconquistava a duras penas seu direito à liberdade de expressão. Diante dessa ameaça, veio a resposta inspirada do setor: a auto-regulamentação, sintetizada num código solenemente entronizado em 1978, com a função de zelar pela liberdade de expressão comercial e defender os interesses das partes envolvidas no mercado publicitário, inclusive os do consumidor. A idéia ganhou força pelas mãos de alguns dos maiores nomes da publicidade brasileira, que articularam longa e pacientemente o reconhecimento do código pelas autoridades federais, convencendo-as a engavetar o projeto de censura e confiar que a própria publicidade brasileira era madura o bastante para se auto-regulamentar.UM RELATO DE VIAGEM. COM MUITAS HISTÓRIAS DOS ÍNDIOS DO XINGU.As estrelas, os índios, as índias, o tucunaré, o biju, os cantos, as danças, as pinturas. Está tudo reunido no livro Xingu - Viagem sem volta, de Julio Capobianco, um relato dos dias que passou na aldeia dos índios kuikuro, no noroeste de Mato Grosso. A viagem foi em 2000, quando assistiu a um Kuarup, e o livro, na forma de um diário bem-humorado - e em papel reciclado! - traz à tona uma infinidade de reflexões sobre o contato com essa cultura. Ao escrevê-lo, um dos objetivos do autor foi interessar outras pessoas, inclusive empresários, para a questão indígena. Texto ilustrado pelas pinturas do próprio Julio e fotos de sua neta, Ana Terra.Julio Capobianco é empresário da área da construção civil, Construcap, e o respeito ao meio ambiente sempre fez parte de suas preocupações centrais. Eis um mini-perfil do autor, no texto do jornalista e editor Vicente Wissenbach, na apresentação de Xingu - Viagem sem volta (Terceiro Nome, 156 páginas, R$ 32,00): "Julio Capobianco tem uma imensa capacidade de nos surpreender, revelando-nos a cada momento novas facetas de sua personalidade, de seu amor pela cultura e pelo homem. Como empresário, construiu uma empresa sólida e séria, preocupada não apenas com o desenvolvimento tecnológico, mas também com o meio ambiente e com a área social. Como fazendeiro, demonstrou um profundo respeito pelo patrimônio histórico, restaurando com rigor a sede da Fazenda Catitó e a antiga estação ferroviária. Amante dos livros, agora nos mostra outra face. Revelou-se um grande escritor".UMA NOVA BIOGRAFIA DE ADONIRAN BARBOSA, O ITALO-CAIPIRA.O autor é o jornalista Ayrton Mugnaini Jr. A apresentação de Adoniran - Da Licença de Contar... (Editora 34, 254 páginas, R$ 32,00) coube ao crítico de música Tárik de Souza. Diz ele do personagem: "Coube a um anti-herói suburbano, figura chapliniana envergando gravatinha borboleta, chapéu de aba quebrada, encarnar a confluência sócio-cultural de caipiras, italianos e malandros (sub)urbanos que moldou o samba paulistano. Usando o pseudônimo de Adoniran Barbosa, o filho de imigrantes de Treviso, norte da Itália, João Rubinato fez o poeta carioca Vinícius de Moraes engolir o vitupério ´São Paulo é o túmulo do samba´, tornando-se seu parceiro quase por acidente no clássico ´Bom Dia, Tristeza´".No livro, Mugnaini Jr., além de arrolar façanhas do paulista Adoniran como a memorável vitória no carnaval rival, o carioca, em 1965 com o petardo atemporal "Trem das Onze", documenta a progressiva valorização do artista, especialmente a partir dos discos gravados pelo produtor J. C. Bottezelli, o Pelão, em 1974 e 1975. Parceiro da poeta Hilda Hilst, celebrado por Tom Zé em "Augusta, Angélica e Consolação" e por um elenco que reuniu de Djavan e Clara Nunes a Elis Regina (sucesso tardio com o anárquico "Tiro ao Álvaro"), Adoniran foi exaltado até pelo ensaísta Antonio Candido. Ele o chamou de mágico, "vindo dos carreadores de café para inventar no plano da arte a permanência da sua cidade e depois fugir, com ela e conosco, para a terra da poesia".A LENDÁRIA MARIA MADALENA, SEGUNDO O FRANCÊS MESSADIÉ.O jornalista francês Gerald Messadié fez sucesso, primeiro, ao ingressar no mundo da ficção, com os romances da série Moisés. Um sucesso mundial. Agora, está de volta às livrarias com O Enigma Maria Madalena (Bertrand Brasil, 322 páginas, R$ 39,00), no qual reúne dezenas de indagações sobre quem foi a mulher lendária. Coisas assim. Quem foi Maria, da localidade de Magdala, que a história bíblica registra apenas como Maria Ma(g)dalena? Uma das santas mulheres que se mantiveram ao pé da cruz durante a crucifixão, a pecadora que os próprios discípulos de Jesus hostilizavam, ou uma pessoa determinada e inteligente, acima e além de seu tempo, disposta a ousar tudo para salvar o homem que ama? Que papel teve na vida de Jesus para que fosse a primeira pessoa com quem ele se encontrou ao sair do túmulo?Essas são as principais indagações que Gerald Messadié tenta responder em O Enigma Maria Madalena. Segundo o autor, ela teria sido a instigadora de um complô para salvar Jesus da morte. Subordinando os soldados, retardando a colocação na cruz, recuperando o corpo apenas ferido, conseguiu realizar seu plano. Assim, quando um homem ressurge do nada com a aura mágica de ter triunfado da morte, o seu poder torna-se incomensurável.

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