Estado permanente de nobreza e paixão em cena aberta

Ítalo Rossi tinha magnificência cênica. Algo de grão senhor que era inato nesse descendente de italianos nascido em Botucatu, onde o pai teve um hotel antes de se transferir para São Paulo, no mesmo ramo, cidade em que Ítalo se descobriu ator. Já na estreia, em 1956, chamou a atenção de Décio de Almeida Prado, o influente crítico de O Estado de S. Paulo ao assisti-lo em A Casa de Chá do Luar de Agosto, de John Patrick, com direção de Maurice Vaneau. Não foi pouca façanha porque o jovem Ítalo contracenava com Eugenio Kusnet, Natália Timberg, Mauro Mendonça (também estreando) e Sérgio Britto com o qual, três anos mais tarde, fundaria no Rio de Janeiro o Teatro dos Sete ao lado do casal Fernanda Montenegro e Fernando Torres, Gianni Rato (eram sete participantes no inicio, acabaram em cinco, mas o nome foi mantido enquanto a companhia existiu -1959-1965).

Jefferson Del Rios, O Estado de S.Paulo

04 de agosto de 2011 | 00h00

Mais de meio século de protagonismo ou destaque em textos de todos os gêneros. Ítalo, com seu olhar que podia insinuar insolência absoluta, ou melancolia, em contraste com um sorriso encantador. Assim foi em dezenas de desempenhos antológicos. As plateias mais recentes puderam vê-lo ainda dono do oficio, da técnica e maestria em, por exemplo, Quatro Vezes Beckett, criação de Gerald Thomas, Encontro com Fernando Pessoa, em bela dupla com Walmor Chagas, ou um solo perfeito em Comunicação a uma Academia, de Kafka, que encantou o Festival de Curitiba (1994). Isso tudo e mais sua presença elegante e irônica em telenovelas. Um ator em permanente estado de nobreza e paixão dentro do palco.

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