Epitácio Pessoa/AE
Epitácio Pessoa/AE

'Estadão ESPN' transmite especial por 90 anos do rádio no Brasil

Programa irá ao ar às 10 horas com Milton Jung, Joseval Peixoto, Heródoto Barbeiro e Haisem Abaki

Flavia Guerra - O Estado de S. Paulo,

25 de setembro de 2012 | 06h00

"O rádio é o amigo que a gente liga e desliga a hora que quer." Assim o radialista Joseval Peixoto, da Rádio Jovem Pan, concluiu sua participação no programa especial organizado pela rádio Estadão ESPN em comemoração ao Dia do Rádio (nesta terça-feira, 25) e aos 90 anos do rádio no Brasil. "O rádio é universal. Acho que nunca perdeu a sua história. Tem o poder de comunicar e de servir. É impressionante a confiança que o ouvinte, o cidadão, deposita no rádio."

Ao lado de Peixoto, outros três âncoras do radiojornalismo paulista participaram do encontro inédito, que ocorreu na sede do Grupo Estado: Heródoto Barbeiro, ex-CBN e atual Record News; Milton Jung, da Rádio CBN; e José Paulo de Andrade, que participou diretamente do estúdio da Rádio Bandeirantes.

Mediado pelo âncora da rádio Estadão ESPN, Haisem Abaki, que vai ao ar nesta terça-feira, 25, na rádio Estadão ESPN, a partir das 10 horas, o programa reuniu estes quatro mestres do rádio para conversar sobre suas experiências, contar histórias e falar sobre o futuro do mais popular veículo de comunicação. "Foi um encontro maravilhoso que integra a felicidade que é trabalhar no rádio. O radialista sem dúvida é um profissional feliz. É um ambiente bonito, maravilhoso, descontraído, de gente voltada para procurar informação, apurar e revelar o fato e, no rádio, integrar-se com o ouvinte", diz Peixoto, que começou no rádio como "narrador de alto-falante". "Sou do rádio antigo, de uma época em que era uma profissão um pouco mal vista, misturava-se com o teatro. Era misterioso. Minha mãe queria que eu fosse médico, advogado. Na adolescência, fui morar na casa de um tio. E meu primo tinha um alto-falante. Fui trabalhar com ele e narrava textos como ‘Adão não se vestia porque Durval não existia.’ Assim comecei."

Em uma hora e meia de duração, os profissionais também lembraram de episódios marcantes de suas carreiras e da história do País. Para José Paulo de Andrade, "foi um grande prazer participar juntos com outros grandes nomes do radiojornalismo, segmento que passou a ter grande importância nos anos 70". Heródoto Barbeiro concordou e acrescentou: "Para mim é uma honra estar aqui com todos estes companheiros. Apesar de trabalharmos em veículos diferentes, sempre fomos amigos de profissão".

Jung vê na oportunidade um privilégio. "Estou ao lado de mestres, de pessoas com quem aprendi a fazer rádio, que conhecem esta história. Isso me toca e me deixa muito emocionado", comentou o radialista, que cresceu vendo seu pai trabalhar na rádio Guaíba de Porto Alegre.

Durante o papo, os profissionais relembraram da época em que as transmissões esportivas eram divididas por várias emissoras. "Havia só um canal de transmissão. E a gente dividia. Sem contar que acontecia de a gente transmitir um programa inteiro e não saber se tinha funcionado ou não. Tínhamos de voltar para o hotel para, então, receber um aviso de que tinha dado certo", relembrou Peixoto.

Além do passado, os radialistas falaram do futuro do veículo. "A internet deu novo oxigênio ao veículo. Para mim, é ali que o rádio vai continuar rodando e chegando às novas gerações. Este é um cuidado que temos de ter. Não podemos deixar a audiência envelhecer", diz Jung. Para ele, o grande desafio é conquistar novos ouvintes. "Estas novas gerações consomem notícia e informação nos mais diferentes canais, de forma muito diferente ao que estávamos acostumados. Como fazer isso? Claro que ocupando a internet com a nossa programação, mas também desenvolvendo produtos específicos para ela. Temos de estar prontos para atender às demandas da nova geração. É assim que o rádio vai crescer."

Para Barbeiro, a sobrevivência do veículo está associada à comunicação auditiva. "Jornalismo é jornalismo. Não importa a plataforma em que se propaga. As regras são as mesmas. O interesse público é o mesmo. Quando se quer atingir um cidadão visualmente, usa-se a televisão. Se quer atingir auditivamente, usa-se o rádio. Isso não vai acabar nunca. Como a comunicação auditiva é natural do ser humano, o rádio vai existir enquanto houver civilização."

Ainda como parte da homenagem ao 90 anos do rádio no Brasil, a rádio Estadão ESPN está veiculando diversos depoimentos de personalidades que respondem à pergunta: que papel o rádio teve na sua vida? Nesta semana, até dia 29, a emissora colocará no ar jingles publicitários antigos que fazem parte da história do veículo. "Esta iniciativa é importante. Devia haver mais encontros destes de tempos em tempos. É só chamar que a gente vem", encerrou Peixoto.

 

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