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Esses fabulosos artistas de um hit só

"Artista de um sucesso só" geralmente é um rótulo depreciativo, que define um tipo de intérprete cujo sucesso foi fugaz como a passagem de um cometa. Muitas vezes, nunca mais se ouve falar daquele artista-cometa e sua canção.

Jotabê Medeiros, O Estado de S.Paulo

15 de janeiro de 2011 | 00h00

Saiu essa semana um álbum triplo, One Hit Wonder - The Hardest to Find Hits of All Time (Music Brokers) que dá uma mão para quem tem saudade de sucessos do tipo. Hits instântaneos do passado, como Gangsta"s Paradise (Coolio), Bette Davis Eyes (Kim Carnes), Ice Ice Baby (Vanilla Ice), Magic (Pilot), You Spin Me Round (Dead Or Alive) e Words (Missing Persons), ressurgem em boa forma.

Edição suspeita, sem notas de encarte, sem datas, sem circunstâncias de gravação, o disco não ajuda, entretanto, a conhecer o universo em que aquilo tudo se situou, nem sua repercussão. No Brasil, as novelas da Globo geralmente absorveram boa parte desse repertório, ajudando a disseminar músicas e criando trilhas sonoras de fases e épocas do País. Mas há clássicos incontornáveis no lote, como Raindrops Keep Fallin on My Head, de BJ Thomas, que já entrou até na trilha da franquia cinematográfica Homem-Aranha.

O disco 2 parece se deter com mais interesse na pré-história da música eletrônica, o que é útil para quem examina sua evolução. Os avôs de Scissor Sisters estão aqui: Real Life, Haddaway, No Mercy. O sucesso pode ter sido efêmero, mas muitas das canções aqui projetaram o futuro, como por exemplo Video Killed the Radio Star, dos Buggles, criatura estranha da era disco que está na base de muito do pop contemporâneo (é impossível não ouvir ecos daquilo em Hot Chip e outros). A maior parte das faixas evoca apenas um repertório sentimental pessoal e nostálgico. Como Just When I Needed You Most (Randy VanWarmer) ou Lost in Your Eyes (Debbie Gibson). Difícil achar algum cinquentão que não tenha dançado isso em bailinhos nos anos 70.

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