André Lessa/AE-9/11/2007
André Lessa/AE-9/11/2007

Essa será a noite dos surfistas em Pinheiros

Ídolo das praias, Donavon faz show único no Studio Emme

Jotabê Medeiros, O Estado de S.Paulo

01 de fevereiro de 2011 | 00h00

Os surfistas de São Paulo têm a impressão que as melhores ondas da região, esta noite, estarão em Pinheiros. É lá que será encontrado o bigode mais amado da música de praia, Donavon Frankenreiter, a trilha sonora preferida do povo parafinado, de Ubatuba à Jureia.

Donavon já esteve em São Paulo, tocando no Ibirapuera (ao Brasil, já veio seis vezes, quase sempre para tocar em praias). Mas a chance agora é de vê-lo num clube, tocando com seu quinteto. "Bateria, guitarra, violão, órgão e baixo. Este ano, quero fazer mais um disco, alguns shows beneficentes e continuar fazendo o que sempre fiz, correndo o mundo. Temos shows no Chile, no Japão, na Austrália, na Europa", enumerou o cantor, falando por telefone ao Estado.

No ano passado, Donavon lançou o álbum Glow, que mostra uma pegada um pouquinho mais ousada do que as cantigas folk de sempre. Ele vai da influência do ska (em Push) a uma seção de cordas com senso de orquestração (Keeping me Away from You), do rock"n"ll (Hold on) ao som do ukelele, espécie de cavaquinho havaiano. "Desde que me mudei para o Havaí, eu fiquei fascinado pelo som do ukelele. É bonito, simples e melodioso. Achei que era a hora de colocar no meu disco", contou.

Recentemente, Donavon esteve com sua banda no metrô de Nova York, na estação Lexington Avenue, apresentando-se de surpresa para a gravação de um programa de TV chamado Subway Sessions. Tocou a música título de seu álbum, Glow, e Life, Love, and Laugher, entre outros, acompanhado de acordeão, violão e chocalho. "Foi bonito, o público que apareceu não é o que normalmente vai aos nossos shows, e a reação foi muito boa. Eu nunca tinha tocado no metrô, não tinha tido essa ideia", divertiu-se.

As letras de Donavon são escandalosamente simples, quase simplórias, na fronteira de um embaraçante clichê, mas sua voz e sua pegada suave dão eloquência ao seu papo. "Fazer um disco novo é sempre uma jornada, mas eu gravei muitas canções com pegadas diferentes, e isso é gratificante", afirmou o cantor.

Sobre bandas novas que tem ouvido, Donavon é curto e grosso: "Tem um cara que eu ouço sempre aqui em casa: Tom Petty. Sabe quem é? Aquele dos Heartbreakers. Tocou com Dylan, com Roy Orbison. É algo que gosto de ouvir", disse. Donavon também diz que só há um tipo de música à qual sempre recorre quando quer ouvir algo bom: a música negra da era da Motown. "É um som emocional, completo. Adoro Marvin Gaye, ouço sempre que posso."

Adepto da vida alternativa, um tipo de hippie temporão, pai orgulhoso de Ozzy e de Hendrix, 37 anos, Donavon é da turma de Jack Johnson, Ben Harper, Matt Costa e G. Love. Fã de ska-punk, sua primeira banda no colégio era tão inspirada no Pearl Jam que ele a batizou com o nome Peanut Butter and Jam. Depois, continuou tentando suas tacadas na música com uma banda de southern rock.

Foi então que seu colega de surfe, Jack Johnson, que estava começando no selo Brushfire Records, lhe ofereceu um chance de ouro - além de produzir seu primeiro disco (com Mario Caldato), incluindo o hit Free, que tomou as rádios do mundo todo. Em 2006, gravou Move by Yourself (Lost Highway). Em 2008, com Joe Chiccarelli (The White Stripes, My Morning Jacket) como produtor, gravou Pass It Around, que tinha como colaboradores outros dois brothers: Ben Harper e G. Love.

Mudou para o Havaí há três anos, e de lá arquitetou esse disco mais recente, Glow. Mas hoje, no Studio Emme, deve fazer um passeio por toda a carreira, e a proximidade com o público vai também gerar os seus pedidos.

DONAVON FRANKENREITER

Studio Emme. Rua Pedroso de Moraes, 1.036, Pinheiros, tel. 3744-3711.

5ª, às 21 h. R$ 120.

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