Espólio de Nelson Seabra vai a leilão em NY

Além dos cavalos de corrida que criava, tão bons quanto os do príncipe Ali Khan, com quem mantinha uma amistosa rivalidade nos melhores hipódromos do mundo nos anos 50, o milionário brasileiro Nelson Grimaldi Seabra (1919-2002) também tinha paixão por objetos de arte. Todos os cômodos do seu imenso apartamento na Praia do Flamengo, no Rio, eram compostos em estilos particulares, com peças e móveis de decoração antigos trazidos de quase todo o mundo, colecionados com fineza de gosto e muito dinheiro. Menos de um ano depois da morte de Nelsinho, como ele era chamado por seus amigos, uma grande parte dessa coleção está sendo leiloada, hoje, pela Christie´s de Nova York.De bustos de mármore do século 17, aquarelas de botânica que pertenceram ao rei francês Charles X, prataria com mais de 300 anos, bibelôs orientais do século 19, ou cadeiras feitas para nobres ingleses em meados do século 18, estão à venda 176 lotes. Se todos forem arrematados, a Christie´s estima alcançar entre US$ 2,1 milhões a US$ 3,4 milhões com as vendas. O lote de valor mais alto é um par de cadeiras de braço George II, atribuído ao grupo de moveleiros reais St. Martin´s Lane Syndicate e feito por volta de 1750. Cobertas por tapeçaria floral, elas ficavam na Sala Inglesa do apartamento carioca de Seabra e os leiloeiros pretendem vendê-las por algo em torno de US$ 200 mil e US$ 300 mil.Bon vivant - Filho da italiana Assunta Grimaldi e do português Gervásio Seabra, um dos grandes empresários do setor alimentício brasileiro no século passado, Nelsinho nasceu no Rio mas foi educado nos Estados Unidos, onde envolveu-se em produções hollywoodianas. Seu círculo de amigos incluía de estrelas de cinema a famílias reais ou tão milionárias quanto a dele, como os Onassis, os Patiños e os Rothschilds. Era um bon vivant. Ficou famosa a festa que ele deu em Paris, o Baile Vermelho, em 1980, para comemorar seu aniversário. Os convidados se lembram que a cor tema da festa chegou a detalhes como cerejas frescas nos barrados das cortinas.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.