Espião de tirar o fôlego

O diretor Daniel Espinosa queria filmar Protegendo o Inimigo no Rio

FELIPE BRANCO CRUZ, NOVA YORK, O Estado de S.Paulo

16 de março de 2012 | 03h09

Com uma trama que mescla traição, espionagem e incríveis cenas de perseguições e tiroteios, o longa Protegendo o Inimigo, que estreia hoje, reúne no elenco os atores Denzel Washington e Ryan Reynolds. Ambientado na Cidade do Cabo, África do Sul, o filme conta a história de um agente da CIA, Matt Weston (Reynolds), que trabalha como zelador de uma safe house (espécie de escritórios secretos da CIA espalhados pelo mundo) no país. Sua tediosa rotina é quebrada quando o espião traidor Tobin Frost (Washington) é capturado e levado para ser interrogado no local.

Segundo o diretor Daniel Espinosa, de 34 anos (um ano mais novo que Ryan Reynolds), era para o filme ser ambientado no Rio, mas a produção teve dificuldade em conseguir seguros de vida para os atores. "Foi mais fácil na África do Sul", conta o diretor sueco, que fala português fluente. Este é o primeiro trabalho de Espinosa em Hollywood. Até então, ele só havia produzido filmes na Suécia e Dinamarca.

Washington e Reynolds gravaram na favela de Langa, na África do Sul. No passado, o local era um gueto negro do apartheid. Hoje, faz parte do roteiro turístico que inclui favelas pacificadas, assim como acontece com algumas do Rio. Estão também no elenco Vera Famiga (de Amor Sem Escalas) e Brendan Gleeson (de O Guarda). "Enquanto corríamos e lutávamos pela favela, os moradores ficavam nos olhando curiosos", diz Washington. "Eles diziam: 'Olhem lá, estão filmando aqui'", completa Reynolds.

Espinosa explica que decidiu realizar o filme após saber das tais safe houses mantidas pelos EUA secretamente em território estrangeiro. "Sei que existem. Pedi para conhecer algumas, mas não me deixaram entrar. Então, criamos as nossas." No roteiro, o local secreto é fortificado, mas acaba invadido por bandidos que querem matar o espião traidor Foster, já que ele possui informações que podem derrubar muita gente poderosa na CIA. Weston, então, se vê obrigado a defender um traidor do seu país, pois já não sabe mais em quem confiar.

A direção privilegiou a câmera de ombro, por isso boa parte das imagens são tremidas e feitas em close, o que dá agilidade à trama. O efeito tira o fôlego do espectador, principalmente numa passagem em que a dupla briga durante um jogo de futebol no recém-inaugurado estádio Green Point, ao som das vuvuzelas. Apesar da ação, boa direção e ótima trilha sonora, o longa não conseguiu fugir dos clichês. Afinal, quantas vezes já vimos filmes com histórias de agentes traidores fugindo de bandidos secretos que têm uma bela redenção no fim? A única diferença é que, ao invés de ser uma história filmada nos EUA, Europa ou Rússia, agora ela se passa num país africano. E, por pouco, não foi o Brasil.

O longa conta ainda com a participação da bela francesa Nora Arnezeder, que interpreta a namorada de Ryan Reynolds. Este é o primeiro trabalho dela em Hollywood. "Estou satisfeita com o resultado, aprendi muito com Ryan e Denzel", diz. Mas o sonho da atriz, no entanto, é ser cantora. "Quero em cinco anos lançar meu disco", revela.

O longa faz certa referência aos vazamentos de informações confidenciais do WikiLeaks. "Há uma referência sim", diz Espinosa, "mas o filme é ficção. Ainda assim, na vida real, quem sabe não foi um ex-agente da CIA que vazou todas aquelas informações?" Realidade à parte, o longa diverte, mas, infelizmente, não sai da zona de conforto e entrega ao espectador apenas mais uma (boa) história de espionagem.

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