Espetáculo Brasil Brasileiro estréia em Madri

Cinqüenta artistas, entre cantores, bailarinos e músicos estrearam, nesta quinta-feira, em Madri, um espetáculo que traça um percurso pela história da música popular brasileira. Brasil Brasileiro, dirigido pelo coreógrafo argentino Claudio Segovia, representa o País especialmente pelo samba cantado por figuras de primeira grandeza, como Elza Soares, Jair Rodrigues e Alaíde Costa.A equipe de dança coordenada por Segovia conta com um grupo de 50 dançarinos de salão, mulatas, capoeiristas e crianças que improvisaram para criar as coreografias apresentadas no espetáculo, que será apresentado até o próximo dia 16 no Matadouro de Madri, dentro do projeto Veranos de la Villa.Autor e diretor de Brasil Brasileiro, Segóvia disse nesta quinta, em entrevista à EFE, que a apresentação conta a história da música através das canções mais importantes da tradição brasileira, e afirmou que o tema do espetáculo é a cultura urbana, e não o folclore brasileiro. "O método de trabalho foi o improviso", afirmou o diretor, acrescentando que "o elenco dançava como se estivesse em uma festa de família, com uma grande margem para a espontaneidade e imaginação".Os casais de dançarinos tiveram liberdade para criar em cima das coreografias, sendo apenas coordenados por Segovia, que afirmou que o projeto foi construído em um processo conjunto com os próprios artistas.O diretor afirmou ter escolhido Elza Soares, Jair Rodrigues e Alaíde Costa pela "genialidade, autenticidade e paixão" que demonstraram pela música. O repertório inclui canções de Villa-Lobos, Antônio Carlos Jobim e Chico Buarque, entre outros."Se um artista não me emociona, nunca vou pensar em contratá-lo", afirmou o diretor argentino, ao explicar que os artistas que compõem o espetáculo estão em "vias de extinção", e pertencem à "época de ouro" da música brasileira.Além do grupo de artistas, o espetáculo também apresenta o varredor Renato Lourenço, mais conhecido como "Gari Sorriso", que ficou famoso pelos "espetáculos" de samba nos intervalos dos desfiles na Sapucaí. "Renato é um dos maiores sambistas do Brasil atualmente, e aprendeu a dançar sozinho. Me interessa muito ver como essas pessoas têm se desenvolvido, mesmo sem ter tido a possibilidade de estudo", afirmou Segovia.O diretor argentino defendeu as mulheres negras que participam do seu espetáculo, afirmando que elas muitas vezes "são tratadas como mero objeto sexual", razão pela qual tenta "tratá-las com delicadeza, e pôr em evidência o enorme talento que possuem".Claudio Segovia ressaltou a singularidade da cultura brasileira, e considerou que no Brasil há um verdadeiro cultivo da arte popular. Ele afirmou que o público sabe cantar todas as canções do espetáculo, pois as incorpora como parte de suas vida.O diretor argentino disse ainda que a arte brasileira não está sozinha no atual fenômeno de valorização da música, mas que toda a América Latina atravessa um "momento de grande efervescência", pois "os jovens começaram a se interessar pelas suas raízes".Após Madri, Brasil Brasileiro, que já passou por Paris no ano passado, segue para Barcelona, onde ficará em cartaz entre os dias 18 e 23 de julho.

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