"Esperança" tem cidade cenográfica completa

A idéia inicial era fazer com que tudo ficasse muito próximo da realidade, seguindo a conhecida característica da dupla formada pelo autor Benedito Ruy Barbosa e pelo diretor Luiz Fernando Carvalho. Por conta disso, o cenógrafo Raul Travassos decidiu utilizar 13.500 metros quadrados de uma área virgem do Projac, em Jacarepaguá, no Rio, e construir, em apenas três meses, uma cidade que conta com interior em quase todos os seus cenários. Ou seja, diferente dos cenários das demais novelas já produzidas até hoje, as fachadas das lojas também terão ambientes internos que serão transformados em estúdios de gravações. "A intenção foi predominar o clima romântico dos anos 30 na cidade, que está mais para Toscana, na Itália, do que para São Paulo", explica o cenógrafo, demonstrando alguns dos detalhes que eram característicos da Itália, como as estátuas de santos instaladas nas esquinas e os oratórios - como o de Nossa Senhora do Vesúvio - localizado sob o passadiço que vai do fictício Largo do Carmo à também fictícia Rua do Commercio. Seguindo um pedido feito pelo próprio Luiz Fernando, as ruas têm paralelepípedos e meio-fios de verdade, assim como portas e janelas compradas em casas de material de demolição. "Até mesmo o nosso bonde, que antes era puxado por cabos de aço, ganhou um motor construído pelos técnicos do bonde de Santa Tereza", revelou o cenógrafo, que se nega a revelar o custo de toda a construção. "Não sei quanto foi gasto e nem poderia revelar se soubesse", avisa. Para facilitar o trabalho de toda a equipe, ambientes como o dos banheiros da cidade cenográfica funcionam de verdade. "Construímos toda a rede de esgoto, porque se alguém estiver gravando e precisar ir ao banheiro, vai estar tudo por perto", brinca Travassos. Outra idéia do cenógrafo foi utilizar o rio Passarinho, que atravessa todo o Projac e transformá-lo no Rio Itororó, em homenagem a um antigo córrego que cortava São Paulo na região onde hoje está localizada a Rua 23 de Maio. O cortiço construído na ficctícia Rua 25 de Março - que será a casa de Nina (Maria Fernanda Cândido) e sua mãe - também foi inspirado numa antiga construção paulistana. "O de São Paulo surgiu como uma casa de banho requintada, mas com o passar dos anos se transformou num cortiço. Chamava-se Vila Itororó, porque ficava perto do córrego, mas este aqui batizamos de Vila Teveri, em homenagem a um rio da Itália", ressalta. Ouro na igreja - Assim como os demais ambientes, a igreja - que foi oferecida a São Pedro e São Paulo - tem outra carga de veracidade. "As peças douradas não são de purpurina, não. Todos os anjos são folheados a ouro", garante Travassos. Já o cinema terá dois projetores: um de época, para o público ver, e outro novinho em folha, que exibirá os filmes na tela. "A idéia é exibir trechos de filmes antigos e situar o público dentro da história em relação ao mundo, como a Revolução Constitucionalista de 1932", por exemplo."

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