Matheus Cabral/Divulgação
Matheus Cabral/Divulgação

Especial reúne Ivete Sangalo, Caetano e Gil pela primeira vez

A alegria do amor, a exaltação às musas e a dor da separação perpassam roteiro do programa

Alline Dauroiz, O Estado de S.Paulo

18 de dezembro de 2011 | 03h08

Um encontro entre Ivete Sangalo, Gilberto Gil e Caetano Veloso tinha tudo para evocar a baianidade comum aos três amigos e ter aquela cara colorida, com muito batuque e arrasta chinela. No entanto, a proposta do especial de fim de ano Ivete, Gil e Caetano, que a Globo exibe na sexta-feira, às 23h30, fugiu aos estereótipos e juntou os poetas e a musa baiana trajados de social, para uma ode ao amor, em uma proposta sofisticada e inusitada.

“O (diretor Roberto) Talma me chamou no meio do ano e disse: ‘Vamos juntar Gil, Caetano e Ivete no fim do ano?’ Topei na hora, e ele pediu: ‘Inventa algo aí, uma coisa meio Roland Barthes (o sociólogo e filósofo francês) e meio Quadrilha (poema de Carlos Drummond de Andrade)”, lembra o roteirista Rafael Dragaud, que, além de comandar o novo Som Brasil e o Amor & Sexo, assina a direção do especial com Talma.

 

“A princípio não entendi o que ele quis dizer. Fui pra casa, fiquei pensando naquilo de ‘João amava Teresa que amava Raimundo que amava Maria...’ e apresentei para ele um roteiro baseado em Fragmentos de um Discurso Amoroso (obra de Barthes). Entendi que ele, intuitivamente, queria falar de amor”, explica Dragaud. “Criei, então, um roteiro feito de pequenos discursinhos, que são as músicas. Assim, o discurso do especial - falar sobre relacionamento a dois - tem sua força, mas cada música também fala por si.”

Nessa salada intelectual, Dragaud e Talma escolheram 17 músicas (apenas 14 ou 15 vão ao ar, em 1h10 de programa) que cantam a alegria do amor, a exaltação às musas e a dor da separação, em roteiro que conta a história de um relacionamento, de forma não linear. O repertório, garante Dragaud, foi aprovado sem restrições pelos artistas. “Conheço intimamente essas músicas. Quando vi quais seriam, fiquei eufórica. Desde sempre ouvi esses compositores”, disse Ivete, por e-mail, ao Estado.

 

“Quis contar uma história em que o homem é o poeta: Gil e Caetano fazem poesia autobiográfica e Chico faz poesia sobre a vida de outros”, diz Dragaud.

Cantada pelos três, A Novidade, de Herbert Vianna, inicia a atração, seguida de músicas em que eles se revezam entre duetos e solos, como Tigresa, que Gil fez para a musa Sônia Braga; A Linha e o Linho, composta enquanto a mulher, Flora Gil, dormia; Tá Combinado, de Caetano; e Super-Homem, a Canção, de Gil.

Também fazem parte do repertório A Luz de Tieta, Você É Linda e Toda Menina Baiana. “A Ivete, para nós, é aquela menina baiana. Conversar com ela neste especial não vai ser nada problemático, porque a Ivete é a própria conversadeira”, disse Gil, durante a gravação.

Para a dor da perda, Chico Buarque: Ivete canta Olhos nos Olhos e Atrás da Porta - esta última, responsável pelo momento de maior comoção do show, quando os três choram emocionados. Separação também é o tema de Drão (de Gil) e Queixa (de Caetano), além da canção de Hebert Vianna que se popularizou na voz de Ivete, Se Eu não te Amasse Tanto Assim.

“Vamos é de boa música popular brasileira, sem preconceito com o que é popular nem com o que se convencionou dizer que é sofisticado”, defende o diretor.

A dor do amor termina com Amor Até o Fim, de Elis Regina, escolhida para fechar o musical. “Não encontrei música que traduza melhor o que eu acredito. O especial termina para cima, dizendo que as pessoas até podem se separar, mas o amor não precisa se acabar.”

No encontro entre os amigos, há espaço para muitas brincadeiras e papo-furado, no que Dragaud chama de “um despojamento muito elegante”. “O que a gente gravou, só é possível entre três amigos. Mantivemos na edição uma dramaturgia entre eles, os bastidores dos dois ensaios, os olhares de cumplicidade”, lembra Dragaud, ele mesmo ex-genro de Gil, já que foi casado com a cantora Preta Gil.

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