Espanha exibe quadrinhos brasileiros

Trabalhos de 37 quadrinistas brasileiros serão expostos em dezembro na Espanha, na mostra ConSecuencias 2002. O evento, promovido pelo Instituto de la Juventud, órgão do governo espanhol, exibe a produção em HQ estrangeira em Madrid e em outras cidades espanholas. A exposição de quadrinhos brasileiros encerra sua viagem espanhola no Salão de HQ de Barcelona, em março de 2003. A exibição dos quadrinhos é só uma parte do ConSecuencias. Até dezembro, quando abre a exposição em Madri, o Injuve editará um catálogo com todos os trabalhos em português acompanhado de um libreto com a tradução das histórias para espanhol. Cada um dos 37 quadrinistas selecionados desenhou uma história completa de até seis páginas, com tema livre. Todos os trabalhos já estão na Espanha, para edição do catálogo, que terá também a biografia dos autores. O ilustrador Henrique Kipper foi o responsável por selecionar os autores brasileiros que vão participar do ConSecuencias. ?Foi uma escolha difícil?, ele diz, ?porque o Brasil tem pelo menos quatro grandes grupos de quadrinistas que poderiam representar o País?. De início, ele deveria escolher apenas autores de menos de 30 anos, mas conseguiu convencer os organizadores a aceitar também autores um pouco mais velhos. ?A década de 90 foi de poucas publicações no Brasil, uma geração inteira só apareceu agora?, diz Kipper. Kipper foi encarregado da seleção pelo quadrinista espanhol Felipe Hernández Cava, que auxilia o Instituto de la Juventud a organizar o ConSecuencias. Ele explicou qual seu critério de escolha: ?quadrinho não é só desenho, é história bem contada também?. A soma das duas qualidades é o que ele pretende mostrar aos espanhóis a partir de dezembro. Dos nomes veteranos, e mais conhecidos, a seleção brasileira de quadrinistas conta com estrelas como Adão Iturrusgaray, criador da personagem Aline, Caco Galhardo, da tira Pescoçudos, Ed, que ficou famoso por seus trabalhos na revista Mad, entre outros. Os novatos não têm tanta fama, mas alguns dos jovens selecionados para o ConSecuencias já são reconhecidos no métier da HQ, como o chargista Maxx e o quadrinista Gabriel Casal. O resultado do ConSecuencias para a HQ brasileira não deve ser de grande impacto, pelo menos no que diz respeito a vendas e tiragens. A indústria dos quadrinhos, mesmo nos Estados Unidos, não tem mais a força de anos atrás. ?A época das grandes tiragens acabou?, afirma Kipper, que trabalha com HQ desde os anos 80. Um sinal disso é que apenas um dos 37 autores, além dele mesmo, vai à Espanha em dezembro. É Samuel Casal, cuja passagem vai ser custeada pelo jornal onde trabalha, em Santa Catarina. Mas a chance de mostrar o traço brasileiro aos espanhóis é digna de um esforço. Na falta de outros motivos, ?ajuda na auto-estima?, como diz Henrique Kipper.

Agencia Estado

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