Esmir Filho

AOS 27 ANOS, ESTÁ NOS CINEMAS COM OS FAMOSOS E OS DUENDES DA MORTE, 1º LONGA APÓS DIRIGIR 4 CURTAS, COMO TAPA NA PANTERA, VISTO POR 10 MILHÕES DE PESSOAS.

Flavia Guerra, O Estado de S.Paulo

27 de junho de 2010 | 00h00

Duendes não só enfoca a "geração internet" como também se comunica com ela diretamente?

Sim. É como se os personagens do filme existissem antes de eu e o Ismael (Caneppele, autor do livro que inspirou o filme) escrevermos o roteiro. Esses jovens existem: veem o filme, baixam na internet quando não há cinema na região, escrevem para mim dizendo o que acharam. Sem a internet, nada disso seria possível.

É verdade que Duendes está vendendo até no Largo da Batata?

Me contaram e ainda não fui conferir. Mas é sinal de que algum apelo o filme tem. E quer saber? Meu sonho de "pirataria" é encontrar meu filme na barraquinha de piratas cult na frente do Espaço Unibanco (risos). Falando sério, essa discussão entre o legal e o pirata hoje é complicada. Já achei Duendes para baixar na internet. É impossível conter esses novos caminhos.

Tapa na Pantera foi "lançado" no YouTube há 4 anos.

Mandamos o Tapa para alguns festivais e alguém de um deles "subiu" o curta no YouTube. Quando nos demos conta, todo mundo estava vendo. Essa é a prova de que a internet é poderosa e por vezes incontrolável.

E como surgiu Tapa?

A ideia era fazer um vídeo para o Festival do Minuto e queríamos a Maria Alice Vergueiro contando a história de que tinha uma vizinha e tal. Quando chegamos à casa dela, ela nos recebeu de cachimbo na boca, perguntamos "para que esse cachimbo" e nos disse que dava um tapa na pantera. Fomos perguntando mais e, quando vimos, tínhamos entrado na viagem, estávamos conversando havia mais de meia hora.

Vocês tiveram medo de fazer apologia da maconha?

Sim e não. O filme tinha um minuto, não era a favor nem contra, só mostrava o que acontece. Mas a direção do Festival nos alertou para o risco do temapela exposição que nós e a Maria Alice iríamos ter e decidimos deixá-lo fora do evento. Depois, vimos que era bobagem e inscrevemos a versão de curta em festivais. E então, ainda inédito, caiu na internet. Foi assim que descobri o YouTube.

Essa experiência influenciou seu primeiro longa?(Os Famosos e Os Duendes da Morte, em cartaz).

Claro. Digo sempre que meus curtas acompanham meu amadurecimento pessoal. Sem Tapa e até sem Saliva não haveria Duendes, que é um filme sobre a questão de ser adolescente, de tomar contato com o mundo.

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