Escultor reaprende a viver em 'O Artista e a Modelo'

Fernando Trueba já perdeu a conta das vezes em que esteve no Brasil, mostrando seus filmes. São documentários musicais, animações, dramas premiados como "Belle Époque", que passou aqui como "Sedução" (e ganhou o Oscar de filme estrangeiro). O novo filme que traz o diretor ao Festival do Rio é "O Artista e a Modelo". Começou a nascer em 1996, há 16 anos. Naquela época, Trueba escreveu a sinopse sobre um velho artista desiludido dos homens e das guerras. A ação situa-se em 1943. A mulher e ele acolhem na casa - e escondem - uma jovem que vira sua modelo. Ele retoma o gosto pela arte e pela vida.

AE, Agência Estado

10 Outubro 2012 | 09h54

"Inspirei-me em muitos artistas, de Picasso a Henry Miller, embora meu protagonista seja um escultor. É curioso, mas carregava esse filme comigo há muito tempo, só achava que não estava preparado para viajar na intimidade deste velho. Não se trata de uma comédia, mas de algo mais profundo, uma investigação. Sobre o quê? Não queria fazer um filme cheio de frases feitas sobre a arte. Queria mostrar meu artista com as mãos na massa, sujas de barro."

Ele conta que Jean Rochefort foi sua primeira escolha para o papel. "Tinha dois ou três nomes assinalados, mas Jean sempre foi o número um." Suas mãos foram dubladas por Michel Brigand, um escultor francês. "Jean brincava porque ele era alguns meses mais novo - dizia que era um menino." A jovem é Aida Folch, bela e talentosa. Claudia Cardinale tem um papel destacado. "Claudia é maravilhosa. E tem estado muito ativa nos últimos tempos. Saiu do meu set diretamente para o novo Manoel de Oliveira, O Gibão e a Sombra (NR: que estará na Mostra de São Paulo). Claudia filmou com todos aqueles grandes diretores. Luchino Visconti, Federico Fellini, Mauro Bolognini, Mario Monicelli, mas também Henry Hathaway e Richard Brooks. É uma grande contadora de histórias. Você pergunta por Hathaway em Madri, com quem filmou aquela história sobre o circo e ela desanda a falar. Sobre Visconti, tem histórias maravilhosas. E é um encanto de pessoa."

O velho que reaprende a viver é um personagem que não é novo. "Não precisa ser o sexo, às vezes é o neto que estimula um idoso ou uma idosa a viver. As pessoas só precisam de estímulos." O filme ganhou o prêmio de direção em San Sebastian. "Tive ótimas críticas, mas vou lhe dizer. Não filmo por prêmios. O que me interessa são as pessoas, seus sentimentos." E a diversidade de gêneros e estilos? "Não é premeditado. Não digo vou fazer desse jeito, ou aquele filme. Eu me adapto sempre ao que me parece a melhor maneira de contar a história. Alguém dirá que não tenho estilo, mas sei por que filmo e o que filmo, e há coerência em meu trabalho." As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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