Ernst Scheidegger/Divulgação
Ernst Scheidegger/Divulgação

Escultor do vazio

Há tempos o psicanalista carioca Paulo Proença estava numa livraria e abriu um livro do francês Jean Genet (1910-1986), O Ateliê de Giacometti (Cosac Naify, 2000). Atraído pelo texto do autor de Diário de Um Ladrão, Proença leu o livro inteiro em pé, fisgado pela escultura do suíço Alberto Giacometti (1901- 1966). Proença, então, decidiu se entregar à análise do pequeno livro, lançado em 1958, pouco depois de Genet ter posado para o amigo, por essa época já famoso. Hoje, além desse reconhecimento, Giacometti, cujo centenário de nascimento será comemorado no próximo ano, é associado ao título de escultor mais caro do mundo: em fevereiro deste ano, a Sotheby"s leiloou sua escultura L"Homme Qui Marche (I) por US$ 104, 3 milhões. Para quem ainda não conhece sua obra, uma retrospectiva será aberta na Pinacoteca em 2012.

Antonio Gonçalves Filho, O Estado de S.Paulo

19 de dezembro de 2010 | 00h00

Genet jamais teria comprado esse homem esquálido que caminha firme, embora sem destino. No livro, Genet diz a Giacometti que "é preciso coração forte" para ter uma dessas "estátuas" em casa. Este, surpreso, pergunta a razão. Genet hesita em responder, temendo que o escultor zombe dele: "Uma de suas estátuas num quarto, e o quarto vira um templo." Giacometti fica desconcertado, até Genet justificar a observação: suas esculturas têm a fragilidade de um esqueleto que, quando tocado, logo se desmancha. O escultor continua a conversa de modo áspero, perguntando se as obras que Genet viu em gesso ganhariam se fossem em bronze. "Não diria que elas ganham, e sim que o bronze ganha." Nada animador para o artista, que se julgava incapaz de reproduzir o que via.

Tudo o que sabemos sobre:
GiacomettiJean Genetescultorarte

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.