Escritores revelam projetos inéditos

Peça de teatro, romance sobre a língua portuguesa, livros sobre a Independência e a República do Brasil - a Bienal do Livro que terminou no domingo serviu não apenas para divulgar lançamentos mas também para que escritores ilustres revelassem seus próximos projetos. O jornalista Laurentino Gomes, por exemplo, anunciou, no próprio domingo, que já iniciou as pesquisas de 1889, livro em que pretende detalhar a situação no País que culminou com a proclamação da República.

Ubiratan Brasil, O Estado de S.Paulo

24 de agosto de 2010 | 00h00

Curiosamente, a obra vai se iniciar no ponto em que termina 1822 (Nova Fronteira), cujo lançamento está previsto para o dia 4 e que trata da Independência. Já o angolano José Eduardo Agualusa e o moçambicano Mia Couto contaram, no sábado, que finalizam uma nova peça de teatro, ainda sem data de término. Agualusa, aliás, lança em setembro, em Portugal, seu novo romance, Milagrário Pessoal.

Com 1889, Laurentino vai encerrar uma trilogia que praticamente cobrirá toda a história do Brasil do século 19, iniciada com seu best-seller 1808 (Planeta), que já vendeu 600 mil exemplares desde o lançamento, em 2007. A obra mostra as profundas mudanças ocorridas no Brasil colonial com a chegada da família real portuguesa, fugida das tropas de Napoleão Bonaparte.

"Assim, 1822 é consequência natural ao 1808. Quase fui obrigado a escrevê-lo", disse Laurentino, que repetiu a metodologia de trabalho: pesquisa in loco dos acontecimentos e escrita cristalina para relatar os grandes acontecimentos daquele período. "O Brasil independente que nasceu em 1822 é uma continuação burocrática de Portugal, pois mantinha as características de governo trazidas pela família real."

Segundo ele, se a independência nacional fosse de caráter republicano, o País se fragmentaria, pois poderia acontecer uma guerra étnica, entre escravos e colonos. "O projeto monárquico constitucional evitou uma guerra civil por diferenças regionais."

Nesse momento, o príncipe d. Pedro I, responsável pela separação de Portugal, destaca-se como protagonista. "Foi um personagem quixotesco, ao mesmo tempo bruto e refinado, liberal e totalitário, que tanto impediu a fragmentação brasileira como, ao retornar a Portugal, recuperou a coroa tomada por um irmão rebelde."

Laurentino reserva também um capítulo para a trajetória da Marquesa de Santos, amante de Pedro I, que, além de participar ativamente do governo, sugerindo nomes para ministros, foi odiada pelo povo, que idolatrava d. Maria Leopoldina, a mulher do imperador.PP

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