Fredik von Erichse/EFE
Fredik von Erichse/EFE

Escritores chineses comemoram Nobel de Mo Yan e relebram outros ganhadores renegados pelo governo comunista

Liu Xiaobo, Nobel da Paz em 2010, está preso e Gao Xingjian, Nobel de Literatura em 2000, exilado

Efe

11 Outubro 2012 | 15h15

Autores chineses celebraram nesta quinta-feira, 11, o Nobel concedido ao escritor Mo Yan e afirmaram se tratar de um prêmio para a cultura chinesa, ainda que algumas vozes críticas ao governo tenham  aproveitado o prêmio para recordar outro laureado, Liu Xiaobo, que recebeu em 2010 o Nobel da Paz e está preso.

"Merece definitivamente o prêmio, que é uma afirmação da literatura chinesa no cenário mundial', disse o escritor Yue He, popular autor de ficção histórica, em declaração à agência oficial Xinhua.

A presidente da Associação de Escritores de Xangai, Wang Anyi, felicitou Mo Yan pela premiação, que a imprensa oficial insiste em destacar como o "primeiro Nobel de Literatura a um escritor chinês", apesar de Gao Xingjian, escritor crítico ao governo e exilado na França, também tera ganhado em 2000.

Por meio das redes sociais, como o Twitter, alguns escritores e dissidentes têm  mostrado certa desconfiança em relação ao prêmio de Mo Yan, sobretudo a respeito da utilização que o governo comunista poderia fazer dele.

"O governo chinês fará uso ilimitado do Nobel de Mo Yan", disse o jornalista e famoso círtico Michaek Anti. Em declarações à Efe, o artista e dissidente Ai Weiwei relatou "a instabilidade" da Academia Sueca na hora de conceder o prêmio a Mo Yan enquanto Liu Xiaobo permanece encarcerado e sua mulher, Liu Xia, está em prisão domiciliar sem que se tenha acusações sobre ela.

Mo Zhixu, escritor próximo aos círculos dissidentes, disse que o Nobel de Literatura concedido a Mo Yan pode ser positivo para a corrente contrária ao regime, já que "fará com que as pessoas se lembrem de outros chineses que receberam o prêmio (em alusão a Liu Xiabo)".

Mo Yan, concordam muitos críticos, não é um escritor puramente afim ao regime comunista: alguns de seus livros, por exemplo, criticam temas como a política do filho único.

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.