Escritores à caça de leitores

Estimativa da Bienal é de que cada visitante compre, em média, quatro livros

Roberta Pennafort / RIO, O Estado de S.Paulo

01 de setembro de 2011 | 00h00

Um canadense de um único e acachapante sucesso editorial, com mais de 12 milhões de cópias vendidas, um quarto disso no Brasil, uma cantora e atriz de Hollywood coautora de uma série que virou a cabeça das adolescentes, galãs de novelas que vão interpretar Castro Alves, Rubem Braga e Thiago de Mello, e mais 120 autores brasileiros, uns mais, outros menos midiáticos, pegam o caminho da 15.ª Bienal do Livro do Rio a partir de hoje.

William Paul Young, Hilary Duff, assim como Marc Levy, Alyson Noël, Lauren Kate e outros 17 escritores vieram de longe falar a seus fãs. Eriberto Leão, Thiago Lacerda e Marcello Antony participam do espaço Livro em Cena, sucesso da última edição que se repete agora, com Elba Ramalho interpretando Morte e Vida Severina, de João Cabral de Melo Neto, e José Wilker, Triste Fim de Policarpo Quaresma, de Lima Barreto, entre as 11 sessões marcadas até o dia 11.

Os artistas emprestam sua imagem de forte apelo popular às obras, no esforço de torná-las mais atraentes. É esse, afinal, o objetivo da Bienal: vender livros, levá-los às mãos dos 600 mil visitantes, futuros, recentes e velhos leitores, num mundo de cada vez mais sedutoras distrações. A estimativa de vendas é de 2,5 milhões de exemplares, uma média de quatro por pessoa.

É para isso que, além dos 950 expositores de editoras, instituições e livrarias dispostos nos três pavilhões do Riocentro, existe uma programação cultural intensa, na qual foram investidos R$ 4,2 milhões. São espaços voltados a questões femininas (Mulher e Ponto, onde hoje falaria a presidente Dilma Rousseff, que já avisou que não participará, apenas abrirá a Bienal), jovens (Conexão Jovem) e crianças (Maré de Livros).

O Café Literário é o mais tradicional, e terá este ano momentos reservados à poesia e a entrevistas rápidas. Autores veteranos, como Luis Fernando Verissimo, Ana Maria Machado, Ferreira Gullar e Zuenir Ventura, e novatos, convidados estrangeiros, como Audrey Niffenegger, Amitav Ghosh e Ondjaki, debatem temas pertinentes ao seu ofício e respondem a perguntas propostas pelo público.

"Equilibramos os grandes escritores brasileiros, tentando dar uma marca forte de renovação também. Como existem muitos eventos literários atualmente, é difícil conseguir espaço nas agendas, mas muitos dão preferência à Bienal, porque tem esse glamour de ser internacional e é a maior feira do País", acredita o curador do Café, Italo Moriconi.

Para os estrangeiros best-sellers em outros países, essa proximidade física é uma oportunidade de se tornarem mais conhecidos dos brasileiros. "Acontece de as pessoas saírem da conversa com o escritor direto para um estande comprar o livro do autor a que assistiram", conta Sonia Jardim, presidente do Sindicato Nacional de Editores de Livros, que realiza a Bienal com a Fagga Eventos. Ela cita o caso do português valter hugo mãe, que veio para a Flip, a feira de Paraty, e logo depois viu seu livro A Máquina de Fazer Espanhóis entrar na lista dos mais vendidos.

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