Escritora visita em São Paulo três lugares indicados para conhecer antes de morrer

O tom do recém-lançado livro de viagens da norte-americana Patricia Schultz é de puro entusiasmo, a começar pelo título, ´1.000 Lugares para Conhecer Antes de Morrer´ (Ed. Sextante). Mas a escritora, que está passando a semana no Brasil, deixará o País no sábado sem nunca ter entrado em cinco dos oito restaurantes paulistanos que ela recomenda vivamente na edição nacional da obra.Na última segunda-feira (24), Patricia chegou a São Paulo para cumprir alguns compromissos da editora e também conhecer in loco os lugares citados em sua publicação (que já é best-seller nos Estados Unidos): A Figueira Rubaiyat, Acrópoles, Arábia, Carlota, D.O.M., Famiglia Mancini, Gero e Jun Sakamoto.Como ficou apenas três dias na cidade, a escritora teve tempo de visitar três casas. "O Arábia é uma janela de São Paulo. Achei ótimo, experimentei uns 40 pratos diferentes", conta. No Gero, outro indicado, ela notou que, entre os comensais, a graça maior era ver e ser visto. "Adorei o menu, que tem um mix de tudo, até massa fresca, feita na hora. Os altos preços se justificam pelo serviço e pela qualidade". A visita ao D.O.M. era a mais esperada. "É o máximo quando o chef é famoso. A comida, o serviço e o Alex (Atala) são mesmo excelentes", analisa a escritora.E qual foi o critério para escolher os restaurantes? Partiu de uma pesquisa encomendada pela Sextante ao jornalista carioca Marcelo Camacho. "Com base em entrevistas e no meu próprio conhecimento, fiz uma lista com 20 restaurantes da cidade e apresentei aos editores da Sextante. Chegamos a um consenso e, devido à falta de espaço, foram selecionados apenas oito, respeitando a diversidade culinária", explica Camacho. "Antes de entrarem no livro, os textos foram traduzidos e aprovados pela autora". De acordo a com editora, não há problema nenhum nesse tipo de estratégia, já que o mesmo procedimento foi feito em outros países com relação a atrações desconhecidas pela escritora.Apesar de ter concordado com a seleção final dos restaurantes apresentada pela editora brasileira, Patricia não acha que o leitor de seu guia deva se abalar, por exemplo, de Nova York (onde ela mora) a São Paulo apenas para jantar numa dessas casas. "São lugares muito bons para ir quando você está nas proximidades, mas não valem para pegar um vôo de longe apenas para conhecê-los", diz, "Existem restaurantes que eu chamo de ´destination restaurants´, que são aqueles que você pega um avião só para ir até ele e, no dia seguinte, voltar para casa. Como o Taillevent (restaurante francês), que eu considero um templo da gastronomia francesa".A rede carioca de churrascarias Porcão e o restaurante do Hotel Caesar Park do Rio de Janeiro, Petronius, também foram mencionados no livro, mas estes são relatados com a própria impressão da escritora. Assim como o restaurante do chef Paulo Martins, o Lá em Casa, de Belém do Pará, eles constam não só na versão nacional, mas também na edição original norte-americana - já traduzida para vinte idiomas e lançada em 30 países diferentes. "Foi uma surpresa, fiquei honrado", diz Martins, que acredita ter visto Patricia. "Não tenho certeza, mas eu acho que era ela".Enquanto os donos dos outros cinco restaurantes indicados aguardam a visita da autora do livro que os recomenda (que disse que vem ao Brasil no próximo ano para visitá-los), Patricia indicou aos leitores de Paladar os cinco melhores restaurantes do mundo.Em primeiro lugar, ela recomenda o Al Covo, uma casa em Veneza (Itália) especializada em peixes. Depois, o francês Taillevent (em Paris). "Você gasta uma fortuna, mas é inesquecível". O argentino Cabaña las Lilas, em Buenos Aires, ficou na terceira colocação, por suas carnes e vinhos - e ela nem sabia que os donos são os mesmos da Figueira Rubaiyat (a família Iglesias). O Felix, no hotel The Peninsula, em Hong Kong, é o quarto. "É um restaurante futurista. Representa Hong Kong no ano 2070". Em 5º lugar, Patricia elegeu a Carnegie Delicatessen e o Le Bernardin, ambos em Nova York. "A Carnegie é informal e tem o melhor pastrame da América. O Woody Allen está sempre lá. Já o Le Bernardin tem um chef bonito e simpático. Ele é famoso pelos seus ótimos peixes".

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