Escritora Agustina Bessa-Luís recebe Prêmio Camões

A escritora portuguesa AgustinaBessa-Luís recebe hoje o Prêmio Camões, uma das mais importantes condecorações literárias dalíngua portuguesa. Na cerimônia, estará presente oprimeiro-ministro português Pedro Santana Lopes. "Receber esse prêmio foi um dos raros momentos em que estive de bem com Deus e com os homens", comentou ela. Aos 81 anos (soma mais um em outubro), Agustina, dona de uma carreira com mais de 40 obras, tem um olhar aguçado para o novo, para o cotidiano, para a realidade. "Sou inspirada pelo que está ao meu redor."O júri do prêmio, presidido por Zuenir Ventura, escolheu por unanimidade a autora de A Sibila por sua obra traduzir "a criação de um universo romanesco de riqueza incomparável que éservido pelas suas excepcionais qualidades de prosadora". Na verdade, Agustina revela uma grande preocupação pela condição social e cultural dos portugueses, especialmente em pesquisar o passado e suas repercussões no presente. Em A Sibila, por exemplo, ela conta a história da filha mais nova de uma famíliarural, que nunca estudou, mas se torna uma espécie de oráculo da comunidade.Outro componente do júri, o ensaísta português Eduardo Prado Coelho, acredita que a escritora possui uma visão fria da relação entre as pessoas, na observação do domínio do dinheiro,do poder ou do reconhecimento pessoal, lembrando ainda da virtude da compaixão em sua obra: "A capacidade de compreender ooutro na sua vulnerabilidade."Agustina busca uma escrita limpa, cinematográfica até, mas se reconhece integrada à tradição estilística portuguesa. "Na verdade, acredito que há, no mundo, pequenas literaturas com grandes vultos, como é o caso de Portugal", comenta Agustina, em entrevista por telefone ao Estado. "Não temos um caminho já expandido como acontece com a literatura inglesa, por exemplo, cujos lançamentos repercutem internacionalmente. Por outro lado, háescritores, como Machado de Assis, cuja escrita está enraizada na alma brasileira, que tem uma sensibilidade intraduzível." Em novembro, ela lança seu novo romance, Antes do Degelo, em que faz uma nova leitura de Crime e Castigo. "Pensei nas gerações mais novas para desenvolver o que há pordetrás da história de Dostoievski."

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