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Escritor inicia trilogia sobre Vargas

Lira Neto lança seu primeiro livro sobre um dos mais controvertidos políticos brasileiros

UBIRATAN BRASIL - O Estado de S.Paulo,

17 de maio de 2012 | 07h51

Foram dois anos e meio de trabalho intenso, pesquisando cartas ainda desconhecidas, relendo processos judiciais, checando documentos históricos. Tal procedimento tornou-se rotineiro a cada vez que o jornalista Lira Neto se debruça sobre a trajetória de um personagem que se transformará em livro. Foi assim com o escritor José de Alencar (O Inimigo do Rei), a cantora Maysa (Só Uma Multidão de Amores), o Padre Cícero (Poder, Fé e Guerra no Sertão) e agora com seu projeto mais ambicioso, a biografia de Getúlio Vargas, o principal político brasileiro do século passado.

"Mesmo existindo uma vasta documentação a seu respeito, havia ainda várias lacunas que procurei cobrir", disse Lira ao Estado. De fato, Getúlio Dornelles Vargas (1882-1954) foi um político singular - filho de uma família típica da oligarquia gaúcha do final do século 19, época marcada pelo caudilhismo, ele desenvolveu uma personalidade política ardilosa, que o levou a comandar a Revolução de 30 até chegar ao poder do País, implantando uma ditadura em 1937. Deposto em 1945, voltou cinco anos depois pelo voto popular, terminando drasticamente seu mandato, sob uma crise que o levou ao suicídio em 1954.

Diante de uma figura tão complexa, Lira dividiu a biografia em três volumes. O primeiro, que chega agora às livrarias, intitula-se Dos Anos de Formação à Conquista do Poder e compreende a vida de Vargas entre seu nascimento até 1930, quando assumiu a Presidência.

O segundo volume, do qual Lira já escreveu cerca de 150 páginas e será publicado em 2013, compreenderá o período entre 1930 e 1945, com o título Do Governo Provisório à Ditadura do Estado Novo. Finalmente, o último livro, a ser lançado em 2014, terá como subtítulo Do Retorno ao Poder pelo Voto Até o Suicídio, e narrará os fatos acontecidos entre 1945 e 1954.

Um trabalho árduo, apesar da boa documentação - além de escrever um diário a partir do momento em que chegou ao poder, Getúlio manteve uma vasta correspondência. Mesmo assim, Lira escolheu como epígrafe uma frase condenatória do político: "Sou contra biografias". "O primeiro volume exigiu um esforço diferenciado, pois compreende a fase menos conhecida de Getúlio pelos brasileiros. Assim, pesquisei sobre como funcionava a política gaúcha daquela época", conta.

Além de detalhar a ascensão do jovem advogado (leitor voraz, Getúlio desenvolveu uma excelente escrita), Lira relata dois fatos marcantes de sua juventude: o envolvimento em um assassinato em Ouro Preto, onde estudou, e o estupro de uma índia - em ambos, ele foi inocentado. Já o ato do suicídio sempre rondou sua cabeça. "Getúlio faz a primeira menção em seu diário em 1930, durante a viagem para o Rio, caso não chegasse ao poder."

O próximo volume promete ter mais envolvimento de São Paulo, que se rebelou contra Getúlio em 1932, campanha comandada pelo Estado. Posicionar-se contrário ao ditador rendeu represálias: o jornal foi confiscado em 1940 e, por cinco anos, foi administrado pelo Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP).

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