Escritor e psicanalista Roberto Freire morre em São Paulo

O corpo do criador da Somaterapia foi cremado nesta tarde; família não divulgou a causa da morte

Da Redação, estadao.com.br

24 de maio de 2008 | 16h19

O médico psiquiatra, psicanalista e escritor Roberto Freire, de 81 anos, morreu  na  noite de sexta-feira, 23. Ele ficou conhecido na década de 1970 por criar, com base nos estudos de Wilhelm Reich, a Somaterapia, método revolucionário de psicanálise que busca a saúde e a harmonia emocional.  Freire estava internado no Hospital Sírio Libanês, em São Paulo. A causa da morte do psicanalista não foi divulgada, a pedido de sua família. O corpo do escritor foi cremado por volta do meio-dia deste sábado, 24, no Crematório da Vila Alpina, na capital paulista. Freire se considerava um anarquista, referencial ético em que baseava a Somaterapia, uma terapia corporal e em grupo, baseada nas pesquisas de Reich.  Defendia a sexualidade, o prazer e a liberdade. Para ele, o racional e o lógico não eram suficientes para se entender a vida social e seu impacto sobre a individualidade.   Freire escreveu mais de 20 livros, vivendo seu auge de sucesso nos anos 70 e 80. Um de seus maiores best sellers foi Cléo e Daniel,  publicado em 1966 e que teve por muitos anos uma grande repercussão entre jovens. O livro ganhou uma adaptação para o cinema com Sônia Braga, Myriam Muniz e John Herbert. Freire escreveu ainda Sem Tesão Não Há Solução, de 1987, talvez um de seus livros mais importantes e que defende a liberação de repressões sociais e políticas por meio do sexo. Vendeu mais de 200 mil exemplares. Outros sucessos do escritor: Coiote, Ame e Dê Vexame e Sem Entrada e Sem Mais Nada. Além de escrever romances e livros de ensaios, Freire integrou a equipe de roteiristas de séries de televisão como Malu Mulher e a primeira edição de A Grande Família, ambos na Rede Globo. Ainda na Globo, Freire teve um quadro de sucesso no programa TV Mulher, que ficou no ar de 1980 a 86,  com participação também da atriz Regina Duarte, revelou Marília Gabriela como apresentadora, Marta Suplicy como sexóloga, Clodovil Hernandez tinha um quadro como estilista, entre outros participantes. Em 1992 foi criado um grupo de pesquisa e ação da Soma, terapia anarquista que nasceu para combater a idéia então vigente na sociedade de controle e redução do prazer, o que a longo prazo, segundo Freire, origina as neuroses. Este grupo de somaterapeutas, chamado de Coletivo Brancaleone, foi supervisionado desde então pelo próprio psicanalista. Freire se definia como "militante do tesão".

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