Escritor deixou obra austera

A poesia do irlandês William Butler Yeats (1865-1939) é repleta de referências à mitologia de seu país, às circunstâncias políticas que o cercavam e, principalmente, aos amigos próximos. Uma boa dose de informações que o tornaria reduzido ao seu reduto não fosse a simplicidade de sua poesia uma das suas principais características. Mesmo assim, poucos versos de Yeats foram traduzidos no Brasil, com destaque para uma longínqua seleção feita (e bem trabalhada) por Paulo Vizioli em 1992, editada pela Companhia das Letras.

Ubiratan Brasil, O Estadao de S.Paulo

21 de março de 2010 | 00h00

Além de bem-humorado, Yeats era um tipo de homem que, diante de obstáculos aparentemente intransponíveis, conseguia descobrir o melhor caminho da síntese. Como bem descreveu um de seus biógrafos, Richard Ellmann, "sua vida foi um combate contínuo e ele escolheu as batalhas mais duras quando poderia ter escolhido as mais fáceis".

Nascido em Dublin, Yeats foi um aluno medíocre na infância mas, na juventude, fundou com amigos a Sociedade Hermética, que o aproximou das pesquisas esotéricas a ponto de se tornar membro da Sociedade Teosófica de Londres. A experiência rendeu-lhe momentos no mínimo curiosos como o narrado em uma carta a um amigo - frequentador da residência de Madame Blavatsky, célebre por suas ideias esotéricas, ele conta do escândalo feito por um hóspede hindu quando um homem muito forte sentou sobre seu "corpo astral", que estava recostado ao seu lado no sofá.

Suas obras iniciais foram marcadas por uma tendência romântica exuberante e fantasiosa, que transparece no título da sua coletânea de 1893, The Celtic Twilight (O Crepúsculo Celta). Depois, quando já contava com mais de 40 anos, e como fruto de sua relação com poetas modernistas (como Ezra Pound), e também de seu envolvimento ativo no nacionalismo irlandês, seu estilo se torna mais austero e moderno.

Assim, os poemas escritos entre setembro de 1913 e a Páscoa de 1916 revelam uma profunda consciência da realidade política, além de uma linguagem mais simples e direta. Sobre essa fase, analisou o crítico T. R. Henn: "Essa linguagem sugere uma recorrência e uma convergência de imagens, para que estas se tornem múltiplas e enriquecidas." Por sua profunda ligação com a Irlanda, foi eleito um dos primeiros senadores quando se forma o Estado Livre.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.