Escritor cria um mundo soterrado por vários livros

Poeira: Demônios e Maldições (Língua Geral, 400 págs., R$ 45), de Nelson de Oliveira (foto), descreve uma realidade alternativa com o mundo soterrado por livros editados não se sabe onde e jogados de modo clandestino nas bibliotecas. A ideia pode parecer anacrônica em tempos de leitura digital, mas o caso é que o autor demorou 13 anos até concluir o romance. Quando fez a primeira versão, em 1997, ninguém falava em leitor eletrônico. "Se meu romance não fosse publicado neste ano, sairia no ano que vem só como e-book", ri. O descolamento em relação à realidade acaba fortalecendo a distopia. Não era mesmo para ser o mundo como ele é - ninguém ali tem celular nem computador, "como se nos anos 70 o mundo tivesse pego outro caminho" -, mas o desenvolvimento da tecnologia deu tons mais surreais à história dos livros saindo pelo ladrão. A ideia que inspirou o autor, de qualquer modo, independe da versão física ou digital. A origem está num texto do poeta mexicano Gabriel Zaid: "A leitura de livros cresce aritmeticamente; a escrita de livros, exponencialmente. Se a paixão por escrever não for controlada, no futuro próximo haverá mais pessoas escrevendo livros do que lendo."

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