Escritor alemão Siegfried Lenz morre aos 88 anos

Siegfried Lenz, um dos escritores alemães de maior destaque no pós-guerra, cujos romances exploraram a culpa de indivíduos pelos horrores do nazismo e as agruras na formação de uma nova identidade nacional, morreu nesta terça-feira, aos 88 anos, disseram seus editores.

REUTERS

07 de outubro de 2014 | 13h21

Lenz, cujos trabalhos foram traduzidos para mais de 30 línguas, tem como obra mais conhecida Deutschstunde (A Lição de Alemão, em tradução livre). No livro, um menino assiste a seu pai policial seguir cegamente ordens para impedir seu vizinho artista, classificado como "degenerado" pelos nazistas, de pintar uma remota região na fronteira entre Alemanha e Dinamarca.

Nascido em 1926 numa cidade conhecida hoje como Elk, no leste da Polônia, mas que então fazia parte da Alemanha, Lenz serviu na Marinha alemã aos 18 anos durante o último ano da Segunda Guerra Mundial, e passou um tempo como prisioneiro de guerra antes de se estabelecer em Hamburgo.

Ele integrou o Gruppe 47, um grupo de escritores do pós-guerra, incluindo Heinrich Boell, Guenther Grass e Inderborg Bachmann, que sentiram-se no dever de abordar em seus trabalhos o legado do fascismo alemão, combatendo o ímpeto da sociedade pelo esquecimento do tema.

"Parte da Alemanha morreu hoje com Siegfried Lenz", disse o ministro alemão das Relações Exteriores, Frank-Walter Steinmeier, em comunicado.

"Como nenhum outro, Siegfried Lenz observou a sociedade alemã e a moldou com seus trabalhos. O amor dele por esse país, sua ligação tanto com suas cidades de coração --uma na Polônia, a outra no norte da Alemanha-- são alicerces literários para nossos próprios sentidos de identidade", disse.

(Reportagem de Alexandra Hudson)

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