Acervo Estadão
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'Escrever é uma maneira de me defender de mim mesma'

Doris Lessing falou sobre seu ofício em debate promovido pelo 'Estado' em 1987

João Luiz Sampaio, O Estado de S. Paulo

17 de novembro de 2013 | 19h20

Doris Lessing esteve no Brasil em 1987, para lançar o livro A Terrorista. Visitou o Rio e São Paulo, onde participou de um debate promovido pelo Caderno 2 no auditório do Grupo Estado. O encontro foi coordenado pelo crítico literário Leo Gilson Ribeiro e tinha como convidados o empresário e bibliófilo José Mindlin e os jornalistas Miriam Paglia Costa e Luiz Fernando Emediato.

Durante o debate, ela tratou de diversos temas. Sobre a velhice, por exemplo (estava com 68 anos), disse não saber se seria possível manter a lucidez. "Temos de enfrentar a possibilidade de nos tornarmos senis. " Comparada por um membro do público a Marcel Proust, ela afirmou que "é um erro comparar um escritor a outros". "O importante em um escritor não é aquilo que o assemelha a outros, mas aquilo que o assemelha a si mesmo."

Ela também fez comentário sobre a forma como a literatura era ensinada nas escolas. Para ela, as crianças são levadas a fazer análises sobre livros enquanto deveriam aprender a seguir seu próprio fio na descoberta da literatura e seu divertimento. "Eu ficaria muito feliz ao ver a literatura de volta às mãos de todos. Talvez seja melhor aliar os romances a outras disciplinas nas escolas. Meu livro O Carnê Dourado já foi usado para o estudo de História Contemporânea e Política. Acho bom. Já os professores de literatura não acham." A autora afirmou também que "escrever é uma forma de defender-me de mim mesma."

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