Escher e a arte de recriar o impossível

Maurits Cornelis Escher já podia ser invocado a propósito de cenas de Batman - O Cavaleiro das Trevas, mas é agora com A Origem que Christopher Nolan assume a influência do artista gráfico holandês cujas xilogravuras e litografias - para não falar nos meios-tons (mezzotints), - buscam representar construções impossíveis, explorações do infinito e metamorfoses. Na obra de Escher, padrões geométricos entrecruzados transformam-se em formas completamente distintas.

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

06 de agosto de 2010 | 00h00

Numa cena de A Origem, o plano de fundo levanta-se e os prédios parecem cair da tela, o que faz com os personagens de Leonardo DiCaprio e Ellen Page caminhem na vertical por essa parede lateral. Em outra cena, Ellen e Joseph Gordon-Levitt sobem uma escada e ela vira um labirinto que deixa os dois pendurados no espaço. Os labirintos de Escher são diferentes dos de Jorge Luis Borges. Nolan, compreensivelmente, está mais próximo do artista visual que do escritor.

O próprio cineasta diz que não existe nenhum cálculo - nem desejo de se mostrar - no arrojado partido gráfico que adota para seu filme. A Origem é sobre a arquitetura dos sonhos e as imagens geradas por Escher são perfeitas para expressar o universo mental. Mas é realmente notável a forma como os milionários recursos do cinemão permitem a Nolan recriar os efeitos arrojados de ilusões de óptica de Escher, respeitando as regras geométricas do desenho e da perspectiva.

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