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Escândalo

Não sei se é lenda ou verdade, mas existiria um Royal Bedfellow (Companheiro de Cama Real) na corte britânica cuja função era assessorar a família real no cumprimento dos seus deveres conjugais

Luis Fernando Verissimo, O Estado de S. Paulo

01 de dezembro de 2019 | 02h00

O último escândalo da Família Real inglesa envolve Edward, segundo e mais apagadão dos filhos da rainha Elizabeth e oitavo na linha de sucessão ao trono britânico, que se aproveita desse seu quase anonimato para levar uma vida de príncipe sem obrigações, fora o patrocínio protocolar de obras caridosas, e sem desculpas. Edward manteve sua amizade com o financista Jeffrey Epstein mesmo depois de este ser condenado por pedofilia, e continuou a frequentar suas várias casas e viajar no seu avião particular na companhia de meninas adolescentes, que Jeffrey também fornecia aos amigos, e agora está tendo que se explicar. A entrevista que deu para a BBC pedindo desculpas lembrou muita gente da resposta dada pelo Bill Clinton quando perguntaram se ele fumava maconha na juventude. “Fumava”, respondeu Clinton, “mas não tragava”. A imprensa londrina, que adora um bom escândalo, caiu em cima. Ninguém acredita que o príncipe, para usar o eufemismo, não tenha tragado mais de uma menina.

Não sei se é lenda ou verdade, mas existiria um Royal Bedfellow (Companheiro de Cama Real) na corte britânica cuja função era assessorar a família real no cumprimento dos seus deveres conjugais. Pode-se imaginar como seria seu trabalho. Ele teria acompanhado a atual rainha e o marido na lua de mel e nas 17 vezes em que Philip visitou Elizabeth no seu quarto depois disso, a não ser quando Philip ia só pedir uma revista emprestada. Seus serviços à rainha teriam sido requisitados pela última vez há dez anos, mas fora um rebate falso: Philip teria errado de porta. Em disponibilidade, o Royal Bedfellow teria sido designado a orientar Charles e Diana depois do casamento e estado com eles desde a primeira noite, para esclarecer dúvidas sobre etiqueta, o que pode e não pode ser feito e o que fere a tradição, e ainda dar sugestões baseadas na rica experiência histórica da monarquia, como a Variação Henrique VIII e a Queen Victoria Hop. Caberia a ele também preparar o ambiente, cobrir o abajur com o lenço vermelho, lamber atrás da orelha, etc. Mas nada conseguiria salvar o casamento. Charles, decididamente, não estava prestando atenção.

O príncipe Andrew esteve casado, com a duquesa Sarah Ferguson, por pouco tempo. No livro que escreveria sobre sua experiência na corte, o Royal Bedfelow contaria que Andrew dorme só de camiseta (estranhamente, do Vasco) e também revelaria que na noite de núpcias do casal teria sido obrigado a interromper o príncipe no meio do ato para avisar que a duquesa estava dormindo. Para alegria dos tabloides. 

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