Escaldante novo som das antigas

Escaldante novo som das antigas

A banda de soul e afins Garotas Suecas lança seu álbum de estreia após elogiadas turnês pelos Estados Unidos

Roberto Nascimento, O Estado de S.Paulo

05 de novembro de 2010 | 00h00

A busca por inspiração em pilhas de vinis empoeirados tornou-se praxe ao fim de uma década marcada pela reciclagem de sons antigos, em que um fetiche não só por samples, mas também por sintetizadores e instrumentação dos anos 60, 70 e 80 moldou grande parte da estética musical.

Para os garotos da emergente banda paulistana Garotas Suecas, que toca soul, samba funk e rock (jovem guarda, psicodélico e derivados), essa constante assimilação do vintage é a força motriz do processo criativo, inseparável do amadurecimento por qual passam desde que começaram a fazer sucesso nos EUA, em 2008.

"Isso virou um jeito de criar", conta o guitarrista Sérgio Sayeg ao Estado. "Quando componho, não começo pela letra ou pela melodia. Penso num som. Uma guitarra assim. Um piano assado. E toda uma estética vem à minha cabeça. É uma opção de ser criativo através de uma ótica que busca referências mais antigas", completa. Depois de duas turnês pelos Estados Unidos e elogios de publicações como a rádio NPR, a revista Spin e o New York Times, a banda está de volta ao Brasil para o lançamento do excelente disco de estreia Escaldante Banda, em show que ocorre amanhã, na choperia do Sesc Pompeia.

Caracterizado por um soul eufórico, o trabalho é pontuado por metais e riffs de guitarra em clima de festa de arromba. Tudo feito para balançar. É o primeiro resultado palpável de um processo de decupagem que começou em 2005, quando Guilherme Saldanha (vocais), Tomaz Paoliello (guitarra), Irina Chermont (teclado), Nico Paoliello (bateria), Fernando Freire (baixo) e Sérgio juntaram os impulsos adolescentes para formar uma banda de garagem inspirada em MC5, Rolling Stones e Roberto Carlos. "Éramos obcecados por coisas obscuras, difíceis de encontrar, como Os Baobás e Suely e Os Kantikus", conta Sérgio, que se mudou para Nova York em 2007, para estudar e arranjou um bico na famosa loja de discos Tropicália in Furs, antro da psicodelia brasileira em Manhattan.

A experiência aprofundou seu conhecimento de música brasileira e ajudou a lapidar o som da banda. "Eu passava muito tempo na loja. Fui descobrindo coisas novas. Comecei a ouvir mais soul, coisas como Sly e Curtis Mayfield. Ao mesmo tempo, o pessoal que estava no Brasil também mudou. Quando resolvemos traduzir todas essas influências para o som da banda, o resultado saiu mais enxuto, mais eficiente", conta Sérgio.

Fenômeno. Um combinado de sorte, talento e timing fez com que o grupo se destacasse rapidamente no circuito indie nova-iorquino. Em 2008, se reuniram para tocar alguns shows nos inferninhos da cidade e por obra do destino (e de uma colega de quarto que trabalhava na produção do programa Fearless Music, da Fox) se apresentaram em TV aberta. Em seguida, caíram nas graças de Carrie Brownstein, jornalista da rádio NPR que foi a uma apresentação no Brooklyn e declarou: "Faz uma década que não chego à frente do palco e começo a dançar como uma tonta sem querer que o momento acabe." No ano seguinte, tentaram a sorte no festival texano South by Southwest, o mais importante acontecimento do indie americano e foram descobertos por Jon Pareles, do New York Times. Voltaram ao Texas este ano, mas desta vez, com status de banda cult e um incensado disco no forno.

GAROTAS SUECAS

Sesc Pompeia. Rua Clélia, 93, tel. 3871-7700. Amanhã, às 21h30. R$ 16.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.