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Fábio Porchat
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Errar é... Proibido!

Eu estava conversando com o Dedé Santana sobre humor, politicamente correto e ele falou uma coisa que eu achei perfeita: Hoje em dia, a geração de vocês tem um problema enorme. Vocês não podem errar. Fazendo uma rápida análise, realmente, se amanhã alguém fala alguma coisa meio torta, já é capa do UOL, a Folha faz uma matéria com pessoas rebatendo o que foi dito, o Estadão faz uma enquete com os assinantes, um colunista da Veja mete o pau, a internet é invadida por comentários das pessoas mais variadas e quando você se dá conta, um pequeno comentário vira uma rebelião contra a moral e os bons costumes.

Fábio Porchat, O Estado de S.Paulo

07 Dezembro 2014 | 02h07

Antigamente, se você fazia uma piada e ela não era boa, no dia seguinte ninguém mais se lembrava dela. Hoje, ela te martela o resto da vida, fica marcada na sua pele e será sempre lembrada em todo assunto que você esteja envolvido. E como é difícil não poder errar. Imagine você acordar de manhã e saber que, durante todo o seu dia, não pode cometer nenhuma falha, nada. Tem que fazer tudo certo. Agora imagina isso o resto da sua vida. Desesperador, certo? E, afinal de contas, errar é humano. É errando que se aprende. Errando-se, corrige-se o erro. Errar faz parte da vida e é impossível não errar. É isso que nos fortalece, e nos torna quem somos. Claro, não estou dizendo aqui que se a pessoa é neonazista isso é ok.

Estou tentando mostrar como é a vida se formos policiados eternamente, para no primeiro tropeço nos apontarem todos os dedos e nos destruírem. É como se todo mundo fosse Jesus Cristo e pudesse, do alto da sua perfeição, julgar os reles mortais. Ninguém é certo ou é errado. Ninguém é bom ou é mau. Todo mundo é tudo! Junto e misturado. É claro que é mais fácil (e mais idiota) querer reduzir tudo em sim ou não. Ou ele é ou não é. Só que a vida não é assim. Nenhum de nós é. Então temos que ter cuidado antes de começar a atirar pedras desvairadas, como se isso redimisse os nossos erros. Se a pessoa fez algo errado, ou disse algo desastroso, não reduzam a pessoa a pó. A pessoa não pode ser resumida a um defeito. E esse defeito não pode ser transformado na terceira guerra mundial. Claro que todos temos que dar as nossas opiniões e somos livres pra criticar quem a gente bem entender. E se a pessoa falou alguma coisa que julguemos ser imbecil, merece ouvir por isso. Mas não como se a vida dela agora não fizesse mais sentido. Piada a gente só descobre se é engraçada, ou não, depois que foi feita. Se ninguém rir, ela não será mais feita. Ponto. Mas ela precisa ser feita. Quem a fez, precisa entender como a sua piada foi recebida. E se você não gostar, ótimo.

Quantas vezes as pessoas que você gosta falam besteiras, fazem coisas erradas e você segue a vida? Por que não, ter esse tipo de tolerância com o resto da humanidade também? Valeu, Dedé!

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