Eric Hobsbawm, o historiador superstar em Paraty

O historiador inglês Eric Hobsbawm comprovou que é umsuperstar - sua palestra na Feira Literária Internacional de Paraty, nanoite desta sexta-feira, tornou-se um verdadeiro encontro de famosos.Além de ter participado da primeira palestra a esgotar todos osingressos, Hobsbawm atraiu todos os escritores estrangeiros presentes àfeira (Julian Barnes, Hanif Kureishi, Daniel Mason e Don DeLillo) etambém alguns brasileiros (Milton Hatoum, Ana Maria Machado, PatríciaMelo) e artistas (as atrizes Xuxa Lopes e Marisa Orth, e o maestro JohnNeschling). A superlotação da sala provocou um mal estar em um homem,que foi inicialmente atendido pelo médico Drauzio Varella (também umdos convidados) e, em seguida, enviado a um hospital. Hobsbawm conversou durante uma hora e meia, período em que leutrechos de "Tempos Interessantes", livro em que relata fatos do séculopassado e também pessoais, além de ter respondido às perguntas daplatéia. Com sua habitual visão crítica, o historiador de 86 anoscomentou que, como a humanidade conseguiu sobreviver ao século 20, emque aconteceram as guerras mais sangrentas e em que surgiram movimentosfundamentalistas de toda espécie ("até mesmo aquele senhor que veio doTexas e preside o Estados Unidos é um fundamentalista"), certamentesaberá como sobreviver ao novo século. Hobsbawm revelou também confiança no potencial histórico do Brasil,"país que espero ver resolvidos seus problemas sociais e cujo materialhumano, especialmente cultural, é maravilhoso." Ao ser consultado porum jovem historiador sobre o melhor caminho para seguir a profissão, oinglês foi preciso: "Tente entender sua época e não enumerar fatos". Para terminar, o historiador divertiu a platéia com uma anedota:Três milionários estão sentados num bar. Depois de beber algumascachaças, começam a se empolgar e cantam a música mais marcante de suajuventude: a Internacional Comunista. Com a história, ele resumiu seupensamento, baseado no intercâmbio entre uma concepção idealista decomunismo, mal compreendida segundo ele pelas pessoas que não fazemparte de sua geração, e a concepção do comunismo como uma aspiraçãoanacrônica, a qual ele rebate com mais ironia: "não apenas Karl Marxfoi uma personalidade fundamental para o século XX. Os irmãos Harpo eGroucho também foram".

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