''Era um amigo generoso, leal, fiel''

No sábado à noite, falei com Judith, mulher de Scliar, e ela me avisou: "Entre esta noite e amanhã cedo, Moacyr terá partido, meu amigo." Estivemos juntos pela última vez no Palácio do Governo, quando Alberto Goldman nos deu a Comenda da Ordem do Ipiranga. Rimos, felizes: Quem diria que seriamos comendadores? Naquela noite, aos nos despedirmos, Scliar comentou: "Pensar que esta é uma amizade de 50 anos." Ontem, meio século de amizade desmoronou.

Ignácio de Loyola Brandão, O Estado de S.Paulo

28 de fevereiro de 2011 | 00h00

Scliar era leal, generoso, fiel

Quando, em 1996, sofri uma complicada intervenção cirúrgica por conta de um aneurisma cerebral, ele telefonou para minha mulher: "Se for necessário, em duas horas estarei em São Paulo para acompanhar os procedimentos".

No dia 20 de janeiro, fui a Porto Alegre, mas não consegui vê-lo, estava na UTI do Hospital das Clínicas, sedado. Ficou assim todo este tempo. Durante hora e meia conversei com Judith, que estava esperançosa. Praticamente todos os médicos de Porto Alegre estavam em torno dele. Mas, não deu, ele partiu. Fará falta. Pela generosidade, solidariedade e integridade. Hoje comecei a reler O Centauro no Jardim, um de meus favoritos entre seus livros. Nele, Scliar é Cortázar, Borges, Kafka, Como dizia Graciliano Ramos, a palavra é para dizer, não para enfeitar. Scliar dizia.

IGNÁCIO DE LOYOLA BRANDÃO É ESCRITOR E CRONISTA DO ESTADO

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