Era porrada pra todo lado

Foi Cabeça Dinossauro que fez os Titãs serem grandes no rock brasileiro. Amanhã, o Estadão relança esta granada

Lauro Lisboa Garcia, O Estado de S.Paulo

04 de dezembro de 2010 | 00h00

Hoje eles são um quarteto, mas no princípio os Titãs eram muitos e vários. Seus integrantes participavam de bandas paralelas, ouviam e tocavam de tudo, até que se definiram como Titãs do Iê Iê. Ainda com André Jung na bateria (depois substituído por Charles Gavin), viraram só Titãs porque o adendo se mostrou inútil, já que quase todo mundo os chamava de Titãs do Iê-Iê-Iê e a ideia não era essa. Se bem que no primeiro álbum, Titãs (1984), emplacaram uma canção digna da ingenuidade da turma da jovem guarda: Sonífera Ilha.

No segundo já começavam a botar as asas de fora e desciam a linha no efeito imbecilizante do veículo que dava título ao disco: Televisão (1985). Porém, só foi em Cabeça Dinossauro - próximo título da coleção Grande Discoteca Brasileira Estadão, nas bancas amanhã -, que a banda conseguiu mostrar as garras pra valer. Até então, suas gravações soavam chochas e não correspondiam à garra do grupo ao vivo.

Cabeça Dinossauro (1986) foi o primeiro de uma série de três grandes discos de estúdio da banda, seguidos por Jesus Não Tem Dentes no País dos Banguelas (1987) e Õ Blésq Blom (1989 ) e provocou um estrondo, distribuindo porrada pra todo lado, incluindo os "caras que não fazem nada" e as principais instituições: a Igreja, o Estado, a família, a polícia. O motivo de tanta agressividade tinha origem real. Tony Bellotto e Arnaldo Antunes foram presos no fim de 1985 por porte e tráfico (caso de Arnaldo, que ficou um mês detido) de heroína.

Houve quem criticasse os Titãs (e indiretamente a produção de Liminha e Pena Schmidt), apontando o tom raivoso do disco como coisa de "punk de butique", mas o poderoso material sonoro da banda falou por si só e as vendas do disco cresceram e consequentemente o público do show impactante, que marcou época. "Foi o primeiro disco em que ficamos satisfeitos com a sonoridade. Nos dois primeiros, a gente soava mais leve do que fazia ao vivo. Com a produção de Liminha, conseguimos finalmente equiparar essa defasagem que havia", lembra Arnaldo Antunes, que saiu da banda em 1992.

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