Entrevistas do autor serão editadas em livro

Atual detentora dos direitos de publicação dos sete volumes de memórias de Pedro Nava, a Ateliê Editorial divide o trabalho de edição com a Companhia das Letras desde 2012 - a partilha deverá perdurar por mais sete anos, segundo Plínio Martins, proprietário da Ateliê e presidente da Edusp.

Amilton Pinheiro, O Estado de S.Paulo

10 de maio de 2014 | 10h28

Com a morte de Paulo Penido, sobrinho do escritor e detentor dos direitos da obra de Nava, a família do escritor deve ser a nova responsável pelos títulos. "A viúva de Paulo Penido quer que os direitos sobre a publicação dos livros de Pedro Nava voltem para sua família", conta Martins, que pretende editar os livros de memória de Nava menos conhecidos, como A História da Medicina no Brasil e Território e Epidauro, o primeiro livro lançado pelo autor mineiro, em 1947.

Além dessas publicações, Martins quer lançar outros dois livros, que ainda estão na fase de projeto: uma biografia que Nava escreveu mas deixou inacabada sobre o médico Torres Homens, que viveu no século 19, e também uma seleção das principais entrevistas concedidas pelo memorialista. O responsável pelos dois projetos é Joaquim Alves de Aguiar, professor de Teoria de Literatura da USP.

"Já transcrevi todos os manuscritos dessa biografia que Nava produziu sobre Torres Homem. Como muitos sabem, ele só escrevia a mão. É completamente inédita. É um projeto que já soma sete anos e o próprio Paulo Penido, que fez a revisão técnica dos muitos termos de medicina, acreditava que não valia a pena publicar a obra naquele momento. Os manuscritos se encontram na Casa Rui Barbosa, no Rio de Janeiro", disse Aguiar.

Já a seleção das entrevistas do memorialista mineiro deve ser lançada antes, comenta o organizador. "Nava se repetia muito nas conversas. Assim, estou fazendo uma seleção das melhores e também aquelas em que ele não se repete. É uma nova possibilidade para conhecê-lo, pois suas memórias estão povoadas de literatura."

Em umas das mais famosas e importantes entrevistas - e que tanto o envaidecia -, para o tabloide O Pasquim, Nava diz, logo no início da conversa, que "lembrar dói e incomoda. Não tenha a menor dúvida". E, em seguida, completou: "Certos fatos que estão dentro de mim me castigando; depois que escrevo, esqueço. É uma catarse mesmo."

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